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“Seis Carros” passa a ser agenda da PGR

Por Jorge Rungo
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O Procurador-Geral da República, Américo Letela, a partir da poltrona do seu gabinete, ouviu tantas estórias sobre a existência de uma tal mina, denominada “Seis Carros”, onde os garimpeiros morriam às catadupas pelo desabamento das galerias, estrangeiros faziam das suas, o ambiente era de fio da navalha e todos desobedeciam de forma musculada à determinação do Conselho de Ministros para a suspensão da actividade mineira.

Em visita à província de Manica, realizada na semana finda, Letela decidiu ir até àquele ponto para, in loco, compreender o fenómeno e por que razão o local merece tantas parangonas na imprensa, quase sempre pelos piores motivos.

Com efeito, os garimpeiros não esconderam que estão ali aos milhares. Acima de dez mil homens e mulheres, e há quem fale em 14.000, parte deles com histórico criminal do mais bizarro, e também gente de bem que joga todas as fichas da sua vida à procura do filão de ouro que, num ápice, pode transformar um indigente num milionário.

Chegou preocupado, como ele mesmo disse, e a primeira coisa que fez foi indagar sobre o que está a ser feito para travar a perda de vidas humanas, os esforços empreendidos para resgatar possíveis corpos soterrados em muitos desabamentos anunciados pela imprensa e quis perceber como é que cidadãos estrangeiros aparecem como garimpeiros naquele local.

Cedo, a diferença entre o que se ouve à distância e o que se constata no terreno ficou escarrapachada. Centenas de garimpeiros participaram no encontro solicitado pelo procurador-geral e explicaram que, afinal, há vários meses que não exploram a área, justamente em obediência à decisão do Conselho de Ministros.

De seguida, fizeram saber que não havia estrangeiros por ali e que, apesar do ambiente bagunçado, típico de área mineira informal, estão cientes dos potenciais riscos de aquele espaço se transformar num problema de segurança nacional, como é o caso de Cabo Delgado. Mesmo assim, Américo Letela apelou à vigilância permanente.

Mostraram o que está a ser feito para resgatar eventuais corpos soterrados e que, para prevenir futuros incidentes, passarão a fazer a mineração a céu aberto. Também sugeriram que o Governo instale um espaço onde o ouro possa ser vendido para que sejam captados os devidos impostos em benefício do Estado e haja um melhor controlo da actividade. Leia mais…

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