A inteligência artificial já não se encontra apenas nos laboratórios, nas universidades ou nas grandes empresas tecnológicas. Ela integra-se, de forma cada vez mais visível, no funcionamento do sistema financeiro, nos processos de decisão das instituições e na vida quotidiana dos cidadãos”.
Esta posição foi defendida pelo Governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, durante a abertura da 17ª edição das Jornadas Científicas sob o lema: Regulamentação e Utilização da Inteligência Artificial no Sistema Financeiro Nacional: Riscos e Oportunidades”, que decorre na cidade da Matola, província de Maputo.
Na ocasião, Zandamela explicou que ao trazer este tema para o centro da reflexão, o Banco de Moçambique reconhece esta realidade e participa, de forma responsável, na promoção de uma inovação financeira que reforce a confiança, a integridade e a estabilidade do sistema financeiro.
“Todos reconhecemos que a inteligência artificial pode contribuir para uma maior inclusão financeira, para a modernização dos produtos e serviços financeiros, para maior rapidez nas transacções, para a melhoria do atendimento ao público, para a prevenção de fraudes e para a disponibilização de soluções mais acessíveis, seguras e ajustadas às necessidades dos moçambicanos”, referiu.
Segundo Zandamela, para o Banco de Moçambique, a inteligência artificial assume igualmente particular relevância, na medida em que pode apoiar a análise da política monetária, melhorar a qualidade das previsões macroeconómicas e reforçar a tomada de decisões em contextos cada vez mais complexos.
Acrescentou que a tecnologia tem um elevado potencial para fortalecer a monitoria da estabilidade financeira, aprimorar a supervisão do sistema financeiro e aumentar a segurança e a eficiência dos sistemas de pagamento.
O governante reconheceu que a sua utilização também levanta riscos associados ao uso inadequado de dados pessoais, à adopção de decisões automatizadas susceptíveis de prejudicar os consumidores, às ameaças à cibersegurança, ao risco sistémico decorrente da concentração tecnológica e à exclusão de pessoas com menor acesso digital.
Contudo, para prevenir esta situação, aponta: “É preciso que a regulamentação da utilização da inteligência artificial no sistema financeiro moçambicano se torna indispensável. Não se trata de travar a inovação, mas sim de criar regras claras que assegurem que estas ferramentas sejam utilizadas com segurança, transparência, responsabilidade e respeito pelos direitos dos consumidores”.
Adiante, apontou ainda que “este ano, aprovámos igualmente a nossa Política de Inteligência Artificial, que estabelece princípios orientadores destinados a assegurar que esta tecnologia seja utilizada de forma segura, transparente e responsável no seio do nosso banco central”.
Ao nível do sistema financeiro nacional, referiu que algumas instituições financeiras já começaram a adoptar soluções baseadas em inteligência artificial, sobretudo ferramentas digitais integradas em aplicações móveis, websites institucionais e serviços de mensagens.



