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PM e PB: um cocktail de língua portuguesa

Por Jornal domingo
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Texto de Neyma de Jesus

Actualmente, a língua portuguesa é a quarta mais falada do mundo, contudo, o número de falantes, por si só, ainda não é suficiente para torná-la língua oficial da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo estimativas da ONU, o português é falado por mais de 265 milhões de pessoas nos cinco continentes e prevê-se que em 2050 esse número se aproxime dos 400 milhões.

Como forma de valorizar este idioma, a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), em parceria com a Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), estabeleceu o 5 de Maio como Dia Mundial da Língua Portuguesa, desde 2009. Foi nesse âmbito que, na terça- -feira, celebrou-se a efeméride que enaltece não só o português, como também a identidade cultural lusófona.

Moçambique é um dos países da lusofonia que, após a independência, instituiu o português como língua oficial, adoptando a variante europeia. Apesar disso, considera- -se – mesmo não oficialmente – a existência de um Português Moçambicano (PM), entretanto, nos últimos anos tem-se verificado uma crescente influência do Português Brasileiro (PB), fenómeno que, segundo especialistas abordados pelo domingo, é condicionado sobretudo pelos conteúdos digitais.

Esta realidade levanta debates em torno da identidade linguística nacional, da influência cultural externa e do posicionamento da academia perante as transformações do uso da língua.

LINGUAGEM MOLDADA PELO DIGITAL

Numa sociedade dominada pela exposição à media digital, as redes sociais tornam-se num espaço de consumo linguístico e influenciam a forma moçambicana de falar, escrever e entoar palavras. Salvador Isaías, Benilde Vieira e Aurélio Cuna apontam que a crescente presença do Português Brasileiro (PB) em Moçambique resulta de um conjunto de factores ligados, sobretudo, ao consumo de conteúdos audiovisuais e digitais.

Benilde Vieira, docente na Faculdade de Letras e Ciências Sociais da Universidade Eduardo Mondlane, considera que as novelas brasileiras continuam entre os principais elementos de influência linguística no país.

Aponta para o acesso a canais televisivos brasileiros, como a TV Globo e a Record, bem como “a proliferação de igrejas que nos chegam do Brasil e que são muito populares aqui, como a Universal do Reino de Deus e a Pentecostal Deus é Amor, entre outras, através da presença e acção dos seus pastores. Leia mais…

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