A expansão de novas infra- -estruturas de habitação tem sido incontornavelmente notória, impulsionada pelo ritmo de urbanização e aumento da população nas cidades. Entretanto, neste processo nem tudo vai bem. Para alguns ambientalistas e engenheiros civis, a expansão não obedece critérios fundamentais de construção.
Algumas infra-estruturas estão a ser erguidas em locais por onde passam canais de escoamento de água, ou sobre bacias de retenção natural, pântanos e até mangais, provocando a destruição do ecossistema. O mais preocupante é que o impacto destas construções já se traduz em inundações urbanas severas e no bloqueio das vias de acesso.
Para os especialistas ouvidos pelo domingo, a edificação de infra-estruturas nestes lugares devia ser proibida. Referem ainda a necessidade de se repensar em políticas que visem assegurar a requalificação dos bairros, evitando a obstrução dos canaisde escoamento, e garantir que a construção de casas respeite os padrões estabelecidos pela administração.
Neste âmbito, as autoridades municipais são chamadas a planear melhor, ocupar o território de forma mais informada e investir com base em conhecimento sólido, antecipando riscos e promovendo um desenvolvimento mais resiliente, inclusivo e equilibrado. Há três anos, Beatriz Buchilli, a antiga procuradora-geral da República, preocupada com o cenário vivido na cidade de Maputo, alertou que as construções em zonas impróprias colocam emrisco o meio ambiente e os cidadãos, assim como comprometem o futuro das gerações vindouras.
“Um pouco por toda a zona costeira de Maputo assiste-se à construção de residências na zona do mangal, entre mansões de quem quer ter uma vista privilegiada, até pequenas moradias improvisadas, apesar das placas do município da cidade Maputo que classificam a área como zona protegida”, alertou na altura.
domingo visitou alguns bairros das cidades de Maputo e Matola, onde o fenómeno é mais sufocante para algumas famílias, pois as residências são invadidas por correntes de água, e algunmoradores já as abandonaram.

Outros, sem opção, continuam nos mesmos locais. Residentes entrevistados nos bairro Triunfo, Ferroviário, Luís Cabral e Matola “A” apontam o surgimento de grandes casas de alvenarias ou mansões em algumas zonas supostamente inapropriadas como uma das causas do agravamento deste problema.
A engenharia desenvolvida para afastar a água, através do transporte de solos, acabou por bloquear os canais naturais de água. O cenário agrava-se pela implantação de edifícios sobre as bacias de retenção ou pântanos. Leia mais…



