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Vedadas o acesso à terra e dignidade

Por Luísa Jorge
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No bairro 25 de Setembro, bem à porta da vila de Boane, na província de Maputo, há uma cooperativa de camponeses composta por 54 membros e que explora cerca de 40 hectares de terra.

Há dois meses que um dos associados, João Dawane, proprietário de uma machamba com um hectare e meio, perdeu a vida. João tinha duas mulheres e onze filhos. Faz dois meses que Priscina Tembe, uma das mulheres, não tem tido sossego. Após a morte do companheiro, foi interdita de aceder aos bens por ele deixados, desde a parcela da machamba familiar onde produzia até aos lucros resultantes da venda da produção.

“Antes de ele morrer, eu também produzia naquela machamba. As despesas da casa, bem como dos meus filhos, eram custeadas pelo falecido, tanto é que nunca deixou faltar um caderno para eles estudarem. Mas, hoje, a minha cunhada está a tirar-me esse direito”, conta Priscina ao domingo. Diz que passou a suportar o que classifica de “humilhação” por parte da cunhada. “Fui acusada de ter matado o meu marido com recurso à feitiçaria. Até à Associação Moçambicana de Médicos Tradicionais fui levada. Disseram que a culpa não era minha nem da outra mulher, mas da doença de que ele padecia”, salienta.

Actualmente, Priscina vive da sorte de cada dia. Para garantir a sua subsistência e do filho, tem lavrado machambas alheias e faz trabalho doméstico, qual diarista. Anda desesperada pelo facto de nem sempre conseguir dinheiro para custear o transporte do filho à escola, que se localiza na localidade da Massaca, em Boane. Para não faltar às aulas, o pequeno também tem feito biscates nas machambas. Recentemente, este partilhoucom a mãe a possibilidade de interromper os estudos para trabalhar e ajudá-la. Mas isto não a alegra. Pelo contrário, frustra-a. “Não quero que ele pare de estudar.

Tem apenas 17 anos,” argumenta. Enquanto, por um lado, Priscina luta para ver seus direitos salvaguardados, Rebecca Mabui, residente no distrito da Manhiça, perdeu-os há mais de 20 anos, com a morte do companheiro num acidente de viação. Quando chorava pela perda, seu cunhado vendia, clandestinamente, a casa, terrenos e outros bens do casal no distrito de Marracuene, onde havia estabelecido o seu lar, antes de rumar para Manhiça em missão de serviço.

“Passados quatro meses, devíamos devolver a casa cedida pela empresa onde o falecido trabalhava. Quando regressei a Marracuene com os meus filhos, soube que o meu cunhado havia vendido a casa, o terreno e outros bens”, recorda.Leia mais…

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