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Mais de 40 por cento de sudaneses enfrentam insegurança alimentar aguda

Por Jornal domingo
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Uma agência global de monitorização da fome, apoiada pelas Nações Unidas, disse recentemente que no meio da guerra civil em curso no Sudão milhões de pessoas enfrentam níveis de insegurança alimentar aguda. A última análise da Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar mostra que 19,5 milhões de sudaneses – dois em cada cinco cidadãos – estão em perigo.

À medida que o conflito entra no seu quarto ano, a violência, a deslocação e as graves restrições de acesso humanitário estão a afectar crianças, famílias e comunidades em todo o país. O director de Acção Contra a Fome no Sudão, Samy Guessabi, descreveu a situação como “alarmante”. “O que também é extremamente alarmante são as 135 mil pessoas que estão na Fase 5 do IPC, que é uma fase de catástrofe, o que significa que enfrentam desnutrição aguda extrema e insegurança alimentar aguda extrema”, disse.

A análise do IPC constatou que mais de 5 milhões de pessoas estão classificadas na Fase 4 do IPC (emergência), enquanto outros 14 milhões de pessoas estão na Fase 3 do IPC (crise).

As condições, afirmou, também deverão deteriorar-se ainda mais na próxima época de escassez, de Junho a Setembro. Embora nenhuma área esteja em situação de fome, 14 situadas em Darfur do Norte, Darfur dSul e Kordofan do Sul estão em risco. As insuficiências de financiamento continuam a ter um impacto negativo na resposta das agências de ajuda à crise. Apenas 20 por cento do Plano de Resposta e Necessidades Humanitárias do Sudão para 2026 tinham sido financiados em Abril de 2026.

A assistência humanitária continua a ser criticamente inadequada em comparação com a escala das necessidades, com cerca de nove milhões de pessoas deslocadas internamente e cerca de 40 por cento das instalações de saúde não operacionais. O conflito em curso no Médio Oriente acrescentou outra camada de complexidade à crise no Sudão, contribuindo para o aumento dos preços dos combustíveis, alimentos e fertilizantes.

As agências de ajuda humanitária, incluindo a Acção Contra a Fome, alertam para as graves consequências se mais financiamentos não forem recebidos em breve. “Não ter financiamento suficiente levará todas as organizações humanitárias a definir prioridades e definitivamente não há dinheiro suficiente para apoiar a todos”, disse Guessabi. “Somos empurrados para uma situação terrível em que precisamos de escolher quem podemos ajudar.

Essa é uma realidade enfrentada hoje por todos os humanitários no Sudão”, acrescentou. De lembrar que a guerra no Sudão eclodiu em Abril de 2023, depois de tensões de longa data entre o exército e as Forças de Apoio Rápido paramilitares terem eclodido num conflito armado em grande escala.

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