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MOSSURIZE: Aqui o adultério paga-se com a vida

Por Jorge Rungo
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  • Também se lobola bebés antes de nascerem

Só este ano foram registados seis casos de assassinatos classificados como “hediondos”, uma vez que as vítimas foram esquartejadas por motivos passionais (ciúmes). Estes actos foram protagonizados por jovens e adultos do sexo masculino que, de seguida, se refugiaram na África do Sul.

O distrito de Mossurize convive com este cenário macabro de homicídios há tanto tempo que os assassinatos à facada, catanada ou a tiro, por serem demasiado comuns, apenas contam, mas já não assustam. Deixaram de ser novidade.

Ironicamente, perderam a noticiabilidade. O que preocupa as autoridades administrativas locais e a comunidade é a estranha e recente subida de categoria criminal para o nível do “hediondo”, onde o agressor caça a vítima, mata e, não satisfeito com isso, também esquarteja o corpo.

O administrador de Mossurize, Abdul Zacarias, afirma que a frequência com que os crimes acontecem é de um por semana. “Mas já foi pior. Melhorou graças às acções de consciencialização que temos estado a levar a cabo aos mais variados níveis, incluindo detenções”.

Ao que nos foi revelado, o enredo e desfecho é sempre o mesmo. Os homens partem para a “terra do rand”, à procura de “melhores condições de vida”, e por lá vivem durante vários anos, deixando para trás namoradas e esposas sob a vigilância de seus pais, irmãos, amigos, vizinhos e voluntários.

Geralmente, antes da partida, o emigrante realiza o casamento tradicional (lobolo), numa cerimónia que se consuma com o pagamento de somas que podem ir até aos 100 mil Meticais, junta de bois, cabritos, bebidas, roupas, entre outros bens, pelo que, segundo nos foi revelado, o agora esposo, assume que a companheira é sua propriedade privada e exclusiva.

Além disso, as autoridades contam que alguns homens vão ao extremo de “lobolar” bebés que ainda estão nos ventres das mães (fetos) e meninas de tenra idade. “O problema é que, depois deste “pagamento”, são os próprios pais das crianças que assumem que estas já estão casadas e entregam-nas aos maridos”. Não é por acaso que, neste quesito em particular, a governadora da província, Francisca Tomás, e também o secretário de Estado, Lourenço Lindonde, se tornaram incansáveis na disseminação de mensagens contra casamentos prematuros que são uma prática enraizada nas comunidades.  Leia mais…

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