- Garante Joaquim Sive, comandante-geral da PRM, em entrevista ao domingo
por ocasião dos 51 anos da corporação
Continuar a combater o crime organizado, fortalecer a ligação Polícia-comunidade, prevenir acidentes de viação, destruir as redes de tráfico e consumo de drogas, garantir a ordem e tranquilidades pública e desconstruir a onda de desinformação são parte dos desafios da Polícia da República de Moçambique (PRM).
Quem assim o diz é o comandante-geral da PRM, Joaquim Sive, entrevistado pelo domingo a propósito do quinquagésimo primeiro aniversário da criação da PRM, que hoje se assinala sob o lema: “51 Anos Reafirmando o Compromisso com as Comunidades no Combate à Criminalidade, Terrorismo, Sinistralidade Rodoviária e Corrupção”. “Estamos a desencadear campanhas de sensibilização em todo território nacional, junto das comunidades, com vista a desconstruir esta narrativa do alegado atrofiamento dos órgãos genitais masculinos.
Nestes encontros, a PRM tem contado com a participação dos líderes comunitários e dirigentes das confissões religiosas, os quais reforçam se tratar de um boato, pois, cientificamente, não é possível através de um simples toque no ombro ou saudação com a mão tal acontecer”. Acompanhe a entrevista em discurso directo.
Celebra-se este domingo o Dia da Polícia da República de Moçambique (PRM). Que desafios se impõem à corporação, passados 51 anos desde a sua criação?
A celebração do Dia da PRM constitui um momento de reflexão sobre o nosso papel nagarantia da ordem, segurança e tranquilidade públicas.
Hoje em dia, a corporação enfrenta diversos desafios, tanto de natureza operacional como institucional, que exigem maior capacidade de adaptação, modernização e proximidade com os cidadãos.
Pode enumerar alguns?
No âmbito da criminalidade e sinistralidade rodoviária, o desafio é reforçar a capacidade operativa através da formação, especialização, potencialização das escolas de formação, aquisição de meios e equipamentos adequados com vista a responder aos actuais “modus operandi” dos criminosos; potenciar o sector de inteligência para a erradicação dos raptos e outras formas de criminalidade violenta e organizada; reforçar o controlo das fronteiras (instalação de scanner, radares, vídeo-vigilância, uso de aeronaves não tripuladas, drones), para combater o tráfico de drogas, exploração ilegal e contrabando dos recursos minerais, marinhos e faunísticos que, em certa medida, atraem as organizações criminosas transnacionais.
São muitos desafios…
Também é necessário capitalizar acções de educação aos utentes das vias rodoviárias e aprimorar a fiscalização de veículos, controlo de velocidade e de condução sob efeito do álcool, com vista a prevenir acidentes de viação e suas consequências; e incutir aos membros o sentido patriótico no cumprimento do seu dever, conformando a sua actuação à lei, de modo a eximirem-se de actos subversivos, indisciplina e corrupção.
A outra questão tem a ver com a prevenção e combate ao terrorismo, em que precisamos de prover meios adequados para combater este fenómeno (veículos blindados, barcos, lanchas rápidas, meios de comunicação, armamento, munições e equipamento individual adequado); desenvolver acções que visam assegurar a estabilidade, soberania, unidade, integridade do território, em geral, e ,em particular, o restabelecimento da ordem e segurança públicas em Cabo Delgado, província afectada por ataques terroristas; estreitar a cooperação regional para o combate a este fenómeno e crime organizado e prevenir e controlar a imigração ilegal ao longo da fronteira estatal.
MANTER A ORDEM E TRANQUILIDADE PÚBLICAS
Ao longo deste percurso, quais são as grandes conquistas da PRM?
São várias, a destacar a reposição de ordem pública, depois da violência pós-eleitoral, apesar da prevalência de alguns casos de desordem associados a desinformações e exigência de serviços básicos, como expansão da corrente eléctrica, água, reabilitação de estradas, entre outros.
Sublinhar a prevenção e combate aos raptos, onde continuamos a aprimorar medidas operativa- -preventivas, através de planos operativos em coordenação com outras Forças de Defesa e Segurança. Neste contexto, registámos a redução da criminalidade durante o período de 2024-2025. Em 2025 foram 10,941 casos, contra 11,798 do ano anterior, uma redução de 857 casos, equivalente a 7,3 por cento.
Destacar o funcionamento normal das instituições do Estado e privadas em todo território nacional, a expansão da presença policial, permitindo maior cobertura dos serviços de segurança, incluindo em zonas anteriormente com limitada assistência policial; implementação e fortalecimento do Policiamento Comunitário, através dos Conselhos Comunitários de Segurança (CCS), promovendo maior aproximação entre a Polícia e as comunidades; aumento da participação da mulher na corporação, promovendo maior inclusão e fortalecimento da igualdade de género nas forças policiais. Como avalia a ligação Polícia- -comunidade?
A ligação Polícia-comunidade é um pilar fundamental para a segurança pública. Actualmente atravessa vários desafios. Depois de último pleito eleitoral, muitos sectores da sociedade passaram a olhar para a Polícia com alguma desconfiança, principalmente devido às percepções de actuação excessiva, parcialidade política ou uso desproporcional da força em manifestações e conflitos sociais. Isso criou um distanciamento entre as comunidades e as autoridades policiais.
Não obstante os desafios, ao longo dos anos, as reuniões Polícia-comunidade tem-se mostrado positivas, na medida em que a PRM busca construir confiança mútua entre a população e as autoridades, onde se destaca a realização de 12.289 encontros de ligação Polícia-comunidade no primeiro trimestre do presente ano, permitindo que haja maior cooperação dos cidadãos, redução da criminalidade e aumento da sensação de segurança.
No passado havia os chamados Conselhos de Policiamento Comunitários (CPC). Qual é o ponto de situação destes grupos?
Os antigos CPC evoluíram, de uma forma geral, para os Conselhos Comunitários de Segurança, que continuam a ser a estrutura central da estratégia de policiamento comunitário.
Estes foram criados como mecanismos de participação da comunidade na prevenção e combate à criminalidade, funcionando como ponte entre a população, a Polícia e as autoridades locais. Urge destacar que existe um comprometimento do Executivio através do Plano Quinquenal do Governo para criação e revitalização dos mesmos.
Há um esforço enorme no sentido de revitalizar os que perderam algum protagonismo e criar novos em locais onde não existiram. Actualmente tem-se alcançado números animadores no que diz respeito a estes grupos. Em suma, os CCS continuam activos e contribuem para a redução de pequenos crimes e resolução de conflitos. Ao nível nacional contamos com 1186 revitalizados e 390 novos.
Sente que a população confia na nossa Polícia?
A confiança da população na PRM existe, mas actualmente é limitada e varia conforme o contexto social e político. Em situações de criminalidade comum, muitas pessoas ainda recorrem à Polícia em busca de protecção e resolução de problemas. Contudo, após os episódios ligados às eleições e manifestações, parte significativa da sociedade passou a questionar a imparcialidade e a actuação das forças policiais. Uma parte sente receio, distância ou falta de abertura no relacionamento com a PRM. Isso afecta a cooperação comunitária, porque quando a confiança diminui, as denúncias reduzem e a participação da população na segurança também enfraquece. Por outro lado, há reconhecimento de que a Polícia desempenha um papel fundamental na manutenção da ordem pública.
No cômputo geral, a população tende a confiar cada mais na PRM, pois o número de participantes nas reuniões estába crescer e consequentemente aumentam os conselhos de policiamento um pouco por todo o país. Leia mais…



