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Quando o trabalho rouba o lugar à escola

Por admin
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TEXTO DE GENÉZIA GERMANO

Nas avenidas movimentadas de Maputo, o toque de saída da escola não marca o fim da jornada para Xavier, Regino e Elton, mas sim o início de um turno exaustivo que ameaça as suas trajectórias académicas. Embora os três tenham conseguido transitar de classe no ano lectivo passado, a sua realidade expõe uma face cruel do trabalho infantil: a escola torna-se um plano secundário, diante da necessidade imediata de ter dinheiro para ajudar no sustento da família. Xavier, de 16 anos, inicia a sua venda de ovos cozidos ao meio- -dia e só termina às 22.00 horas.

O impacto desta rotina de dez horas na rua é devastador para o seu rendimento escolar; a sobrecarga física impede-o de rever as matérias e, quando finalmente chega à casa, o corpo já não responde ao desejo de estudar. “Estudo no período da manhã, começo a vender das 12.00 às 22.00 horas. Não tem sido fácil por causa da sobrecarga”, diz. E confessa que “às vezes, chego muito cansado. Quero estudar, mas o corpo não ajuda”.

Este cenário de exaustão é partilhado por Regino, de 15 anos, que vende bijuteria. Afirma que a gestão do seu tempo depende inteiramente do movimento dos clientes. Se as vendas correm bem, ele prolonga a sua permanência na rua, sacrificando as horas de estudo e a concentração necessária para as tarefas escolares. Declara que “é difícil conciliar as duas coisas. Às vezes tenho muitos trabalhos da escola e devo vender. Volto cansado e é difícil fazer as tarefas”, relata.

O mesmo dilema é enfrentado por Elton, de 14 anos. Frequenta a 9.ª classe, um nível de ensino que começa a exigir muito mais de si, no entanto, a venda de frutas na Baixa faz com que passe dias sem conseguir rever a matéria. “Há dias em que quase não consigo pegar nos cadernos”.

IMPACTO NO DESEMPENHO ESCOLAR

Para estes jovens, a escola deixa de ser um espaço de plena aprendizagem, pois o cansaço e a falta de acompanhamento concorrem para um aproveitamento abaixo do desejável. A professora Quitéria Tivane confirma que esta conciliação é, na verdade, um caminho para o insucesso. Ela explica que muitas crianças faltam sistematicamente às aulas ou chegam atrasadas porque precisam de ajudar os pais no comércio informal. Leia mais…

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