TEXTO DE GINOCA MAFUTINE
O que se passa em Maragra e Matxanga, no distrito da Manhiça, e noutras regiões não é simplesmente desflorestamento. É um acto de violência silenciosa contra a própria vida, árvores majestosas, que durante décadas sustentaram o solo, refrescaram o ar e ofereceram abrigo aos animais, caem à calada da tarde, sem que nada seja plantado em substituição. O que fica são desertos crescentes, crateras abertas pela erosão e animais que vagueiam sem lar, condenados a procurar sobrevivência num chão que já não lhes oferece abrigo.
A terra, que devia ser fonte de sustento e vida, está a ser lentamente aniquilada por mãos humanas, e nós, muitas vezes, assistimos impávidos, como se esta destruição fosse inevitável e alheia às nossas escolhas. Mesmo diante de avisos claros e constantes, como os da Illovo, que explicam, com todas as letras, que cortar árvores é destruir o futuro, continuamos a desobedecer. E depois, lamentamo-nos quando a seca castiga, quando a fome aperta, quando a erosão engole o solo fértil e cria crateras onde antes havia vida.
Mas será que compreendemos que estas consequências não são acasos? Que cada árvore derrubada, cada incêndio provocado, é uma escolha consciente que nos afasta da vida? Será que estamos dispostos a sacrificar o futuro das nossas crianças e a fertilidade da terra por um ganho momentâneo? E o que faremos agora, antes que seja tarde demais, para proteger o que ainda resta?
O desflorestamento e as queimadas não são apenas crimes ambientais; são falhas morais e sociais. Cada árvore cortada é um grito calado da natureza, cada incêndio é uma ferida aberta na terra. A erosão avança, os rios secam, os animais fogem ou desaparecem, e, aos poucos, o chão transforma-se em deserto. O solo que poderia sustentar plantações, alimentar famílias e manter ecossistemas vivos torna-se estéril, vulnerável e incapaz de dar vida. Estamos a construir, com as nossas mãos, um futuro de pobreza, escassez e destruição. Leia mais…




