TEXTO DE ISABEL JEREMIAS
A convivência equilibrada entre o livro físico e o digital constitui um caminho necessário para melhorar a qualidade do ensino em Moçambique, tendo em conta os desafios que o país enfrenta para colocar o livro escolar em todo o território nacional e o acesso deficitário às tecnologias de comunicação e informação.
A posição foi defendida esta quinta-feira, na cidade de Chimoio, província de Manica, por Jorge Rungo, jornalista e delegado da Sociedade do Notícias em Manica, durante uma palestra realizada na Universidade Púnguè (UniPúnguè), por ocasião do Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, que hoje se assinala.
O evento decorreu sob o lema “Entre a tela e o livro: desafios da educação na era digital” e, na sua intervenção, Rungo destacou a formação digital de professores como um passo determinante para capacitar os alunos no desenvolvimento de competências críticas.
Defendeu ainda o investimento em infra-estruturas tecnológicas, com vista à criação de condições que permitam integrar, de forma equilibrada, o livro tradicional e os meios digitais.
Segundo explicou, o país enfrenta desafios significativos no acesso ao livro, com destaque para a pobreza das famílias, que limita a capacidade de estas adquirirem materiais escolares. Referiu que a situação torna-se mais crítica em agregados familiares com várias crianças no ensino primário e básico e com rendimentos baixos.
Rungo alertou também para a escassez de espaços de leitura, nomeadamente o reduzido número de livrarias e bibliotecas face à dimensão da população, o que dificulta o desenvolvimento do hábito de leitura. Igualmente, apontou o elevado custo dos livros, sobretudo literários, como um obstáculo relevante.
“Quem mal lê, mal ouve, mal fala e mal vê”, afirmou, ao sublinhar o papel central da leitura na formação do indivíduo.
Na ocasião, apelou à valorização do livro e ao respeito pelos direitos autorais, condenando práticas de plágio.
Apesar dos constrangimentos, observou que muitos jovens recorrem ao livro electrónico, motivados pela facilidade de acesso à informação digital, ainda que condicionada pela disponibilidade de internet e dispositivos electrónicos.
Perante este cenário, defendeu uma abordagem equilibrada que preserve o valor do livro físico e, ao mesmo tempo, aproveite o potencial das tecnologias digitais para ampliar o acesso, promover a interactividade e assegurar a actualização do conhecimento.
Por sua vez, Dizimalta Miquitaio, assessor de pesquisa e extensão da Reitora da UniPúnguè, Emília Nhalevilo, afirmou que a celebração do Dia Mundial do Livro ultrapassa o simbolismo cultural, assumindo-se como um elemento estruturante do desenvolvimento intelectual, científico e humano.
Segundo referiu, celebrar o livro significa valorizar o pensamento e reconhecer o poder da palavra escrita como instrumento de transformação social e construção da identidade.
Acrescentou que nenhuma sociedade alcança o desenvolvimento sem investir de forma estratégica na produção e disseminação do conhecimento.




