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“Cobardes”, a “fúria épica”esbarrou numa “negação épica”

Por admin
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O presidente Donald Trump caracterizou os aliados do braço armado dos EUA/ Ocidente, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), de serem “cobardes” por recusarem fornecer apoio na guerra dos EUA/Israel contra o Irão.

À medida que o Irão mostra resiliência contra as investidas dos EUA/Israel, o inquilino da Casa Branca tem vindo a “implorar” aos principais aliados dos EUA para que ajudem a garantir a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, que Teerão tem efectivamente bloqueado. Frustrado pelo isolamento a que o seu país está submetido na sua aventura militar contra o Irão, nas suas redes sociais Trump tem estado a questionar o que aconteceria se o seu país deixasse de assegurar a estabilidade na região do Médio Oriente, sugerindo que os países [seus aliados europeus] que dependem da rota deviam assumir a responsabilidade de reabrir o Estreito de Hormuz.

Olhando para os apelos, e até desespero por chamar seus aliados de “cobardes”, de Trump e o “não” firme dos seus aliados da OTAN, é caso para dizer que a “fúria épica” esbarrou numa “negação épica”. A recente escalada militar protagonizada pelos EUA e por Israel contra o Irão não pode ser compreendida apenas como mais um episódio de tensão na região do Médio Oriente.

Trata- -se de um momento revelador de uma mudança mais profunda na arquitetura geopolítica global: nota-se o declínio da capacidade dos EUA de mobilizar automaticamente os seus aliados e a crescente resistência internacional a intervenções baseadas em premissas duvidosas. É neste contexto que a narrativa de Donald Trump — incluindo acusações de “cobardia” dirigidas aos aliados da OTAN — deve ser analisada não apenas como frustração política, mas como sintoma de um isolamento estratégico. Desde o início, a ofensiva contra o Irão foi justificada com base em argumentos controversos.

Alegações sobre ameaças iminentes, necessidade de conter influência regional ou garantir a segurança de rotas energéticas foram apresentadas como fundamentos para justificar a acção militar. No entanto, à medida que os acontecimentos se desenrolaram, muitos desses argumentos parecem frágeis, exagerados ou mesmo instrumentalizados.

A história recente, o caso da invasão ao Iraque em 2003, pesa na memória colectiva dos aliados europeus, tornando-os mais cautelosos diante de justificações que evocam urgência, mas carecem de consenso internacional robusto. A desconfiança ajuda a explicar a resposta fria — e em alguns casos abertamente negativa — dos membros da OTAN. Ao contrário de décadas anteriores, em que o alinhamento com Washington era quase automático, vários países europeus optaram por distanciar-se da intervenção.

A recusa em participar directamente no conflito não é apenas uma decisão militar, mas um posicionamento político: uma rejeição tácita da narrativa que sustenta a guerra. Ao dizer “não”, os aliados dos EUA não estão apenas a evitar um envolvimento perigoso, mas também sinalizam que não reconhecem legitimidade suficiente na operação para justificar custos humanos, económicos e diplomáticos. Mas é precisamente aqui que a retórica de Trump se intensifica.

Ao classificar os aliados como “cobardes”, o presidente norte-americano tenta inverter a lógica da situação: transformar uma recusa política numa falha moral. No entanto, essa estratégia revela mais fragilidade do que força. Líderes confiantes na legitimidade das suas acções não precisam recorrer a insultos para mobilizar apoio; pelo contrário, conseguem construir coligações através de consenso e credibilidade. Quando isso falha, resta a pressão — e, em última instância, a frustração pública, como é demonstrado pelos pronunciamentos de Trump. Leia mais…

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