Pode ter causado estranheza o facto de António Muchanga, verbo fácil, normalmente corrosivo, não ter sido convidado para a Conferência Nacional da Renamo que se realizou no berço do líder contestado, Issufo Momade, mas Bula-Bula, que não é bruxo mas também não é parvo, não ficou nada espantado com a ausência.
O Muchanga tem sido daquelas vozes que agora procuram ser alternativa credível à liderança da Renamo, ou à falta dela, acenando simpaticamente, sempre que pode, para todos os sectores da organização desavinda, sobretudo aos ex-guerrilheiros amotinados, sentindo que ali encostado, parcialmente barricado, pode encontrar o necessário impulso para avançar.
Para onde? Bula-Bula confessa que não sabe, mas fosse para onde fosse, é muito provável que o partido da perdiz estivesse melhor servido que agora.
Voltando à ausência na conferência de Nampula que não resolveu nada: foi surpreendente saber que António Muchanga, que não se arrepende de não ter estado na dita inútil, preferiu participar nas exéquias de Moisés Orlando Machel, sobrinho do primeiro presidente de Moçambique, Samora Moisés Machel, deixando claro que não está para adoçar a pílula de ninguém, nem mesmo de Ossufo!



