Depois daquele espectáculo da South 32, a multinacional australiana que gere a produção de alumínio na Mozal, Bula-Bula confessa que desenvolveu um sexto sentido que o alerta para acções chantagistas, as veladas ou ostensivas, as comerciais ou emocionais; e desta vez, tal gato escaldado, dispararam os alarmes para nova investida, desta feita vinda da TotalEnergies.
Semana passada, enquanto o destinatário da missiva de Patrick Pouyanné comparecia a aniversário de país vizinho, a Zâmbia, inefável amigo de Moçambique, uma carta assinada pelo CEO da petrolífera francesa, a TotalEnergies, vazava pelas redacções e pelas redes sociais, antes mesmo de ser protocolada pela Presidência da República.
Bula-Bula cheirou a esturro, a mais da mesma torragem, mais do que já vira antes com os produtores do alumínio de Beluluane, uma forma de pressionar o Governo com condições claramente desvantajosas para Moçambique, esticando o prazo de exploração e reduzindo o encaixe das receitas fiscais de Moçambique, pretensamente para pagar a factura da “força maior”.
A TotalEnergies interrompeu as suas operações em 2021, por razões de segurança, e nesta carta o profícuo CEO propõe a maneira como a petrolífera deve ser ressarcida: a dilatação do prazo de exploração para mais 10 anos, a fim de deduzir alegados prejuízos de 4500 milhões de Dólares, tudo isto devidamente registado em adenda ao próprio contrato. Mas o Governo não embarcou no entusiasmo que se generalizou e já informou que vai formar uma equipa multissectorial para analisar as condições de levantamento da “força maior” da TotalEnergies, que lhe chegam por vias um pouco ortodoxas, com obscura antecipação nas redes sociais. Enfim, por estes e outros pequenos golpes de comunicação é que Bula-Bula acha que anda toda a gente a tentar passar a perna ao Governo nos negócios…




