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TRANÇAS: práticas antigas, ideias novas

Por Jornal domingo
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TEXTO DE TERESA MANJATE *

O Festival das Tranças realizou-se no dia 29 de Abril, com o lema “Minha carapinha, minha coroa”. O evento realizou-se na Escola de Comunicação e Artes da Universidade Eduardo, em Maputo. Festivais desta natureza são promotores de experiências sociais e culturais que molda(ra)m a forma como vivemos e nos compreendemos. Ou simplesmente reflectem a forma como queremos conhecer melhor, estudar, com todas as implicações que o exercício despoleta. Normalmente, este tipo de festivais associa linhas ou pontas “soltas”: o facto social, o emocional e o racional.

O social remete para formas de comportamento colectivo que, tendo uma influência significativa nos indivíduos, dão forma nasinteracções intra e intergrupais. Assim, o fenómeno atinge a sociedade como um todo. Isto é, recai sobre padrões de comportamento, crenças e valores considerados normais e comummente aceites. O facto emocional é exercido a vários níveis.

O primeiro, a nível individual, envolvendo uma experiência subjectiva – sentimentos como alegria, satisfação, euforia, motivação – e colectiva, envolvendo coesão de grupo, o sentimento de pertença, entre outros.

O racional recai essencialmente para as academias – O que é? Quem faz? Como se faz? Porque se faz de determina maneira? O que significa? São estas algumas das perguntas que norteiam o exercício de busca, de reflexão sobre os temas que as feiras culturais desenvolvem, no caso corrente, a feira de tranças de Maputo.

Os objectivos do evento são celebrar a estética capilar africana, particularmente moçambicana;incentivar e promover reflexões e estudos sobre as tranças africanas, de modo a contribuir para a compreensão dos fenómenos e práticas sociais e para a formação de identidades individuais e colectivas, em defesa da diversidade cultural.

Por outras palavras: nesta reflexão não trago “o conhecimento” sobre as tranças, mas um incentivo para reflexões e estudos interdisciplinares sobre a prática no mundo, em geral, no continente africano e em Moçambique, em particular.

O CABELO AFRICANO: CARACTERÍSTICAS GERAIS

O cabelo africano é crespo, melhor, carapinha. Este tipo de cabeloé denso e com espirais muito estreitas, lanoso, seco e volumoso. É característico dos negros. Tecnicamente, a haste capilar curva e elíptica permite estilos maleáveis que mantêm a sua forma e textura (Michele Mantovani, 2019).

Quando se aplica calor ou agentes químicos ao cabelo/crespo afro, os fios libertam temporária ou permanentemente as suas propriedades intrínsecas de espiral e podem ser estilizados de inúmeras formas. Essa imensa diversidade de opções para o cuidado capilar não está isenta de desvantagens.  Leia mais…

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