TEXTO DE MARIA DE LURDES COSSA
Assinalam-se amanhã, 7 de Setembro, 52 anos da assinatura dos Acordos de Lusaka, um marco histórico que representou a queda do regime colonialista português, que durava há quase 500 anos.
Volvidos tantos anos, domingo traz hoje a perspectiva de cidadãos moçambicanos que ouviram a informação e vivenciaram tudo a 7 de Setembro de 1974. Descrevem o sentimento daquele dia, dos dias subsequentes e, sobretudo, do próprio ano da independência, no dia 25 de Junho de 1975, especificamente.
Ana Mboene é uma destas figuras. Tinha 17 anos quando foram rubricados os Acordos de Lusaka entre a Frelimo, representada por Samora Machel, e o Estado português, por Mário Soares. Recebeu a notícia com bastante agrado, mas lembra que aquela data hoje também significa para si reviver os episódios de violência que se seguiram nos dias subsequentes.
“Lembro-me que alguns colonos que não queriam que ficássemos independentes e iniciaram ataques contra moçambicanos, que, cansados dos maus tratos, responderam com violência”, conta Ana com o olhar triste e depois acresce: “vivemos momentos assustadores, houve muitas mortes e sangue na estrada. Aquilo também tornou a celebração dos acordos assustadora”.
Depois da agitação, conta, veio a tranquilidade, espera e, finalmente, a festa. “Eu estava na Polana Caniço, no círculo. Dançava xingomana enquanto as notícias do que acontecia no Estádio da Machava chegavam pela rádio”, diz ela cuja memória do Dia da Independência ainda povoa a sua mente.
Entretanto, Ana, que hoje recorda aquela noite, já não olha para Moçambique apenas com os olhos da adolescente que dançou até à madrugada pela independência. Observa também com os olhos de quem viveu mais de cinco décadas depois desse feito. “No país de hoje, a emoção já não é a mesma. Este país era bonito e unido. É pena que o ontem não volta. Tenho saudades.” Precisamente, Ana revela sentir saudades dos valores que faziam parte do quotidiano. Da época em que os mais velhos tinham autoridade para educar qualquer criança ou jovem e em que o respeito era uma responsabilidade colectiva. Leia mais…



