TEXTO DE MICAELA MEQUE
Há sensivelmente quatro anos, o pátio da Escola Secundária Graça Machel deixou de ser apenas um espaço de recreio e convivência estudantil e transformou-se em abrigo provisório de famílias desalojadas pelas cheias, que assolaram o bairro Magoanine “A”, na cidade de Maputo.
Entre tendas, utensílios domésticos e roupas estendidas, alunos dividem o espaço escolar com homens, mulheres e crianças que aguardam, há anos, por uma solução definitiva em relação à sua habitação. Enquanto esta não vem, a convivência é marcada por inúmeros constrangimentos, desde falta de privacidade a perturbações ao normal funcionamento das actividades lectivas.
A reportagem do domingo deslocou-se àquela unidade escolar para acompanhar de perto o cenário. Há três anos que Lígia Artur e seus cinco filhos foram para ali encaminhados. Viram-se obrigados a abandonar a sua casa por conta das inundações que não deixaram escapar o seu bairro.
“Quando vim a primeira vez, a água ainda estava apenas no quintal, depois de algum tempo retornei à minha residência, mas fui obrigada a regressar em 2024 e estou aqui até hoje, porque a água já esta no interior da casa e chegou até as janelas”, explicou.
Segundo a deslocada, a convivência naquele local tem sido muito difícil devido à superlotação. “Vivemos em tendas e dividimos os espaços com várias famílias. Somos muitos e as tendas têm apenas capacidade para seis pessoas, mas são ocupadas por 12 a 13 pessoas, e, por vezes, mais. É muito complicado”, lamentou, acrescentando que tem recebido ajuda alimentar do município e de outras entidades. “Quando há alimentos, cozinhamos numa só panela para todos. Quando não há, cada família vira-se como pode. O que mais desejamos é voltar a ter uma casa e recomeçar a nossa vida com dignidade”.Leia mais…



