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“Fico surpreendido com a paixão que temos pela escravatura”

Por Carol Banze
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  • Paulo Mateus Wache, em entrevista exclusiva ao domingo

Tem uma obra na forja, voltada para “Negociação e Gestão de Conflitos”. Ao domingo, Paulo Mateus Wache – académico, pesquisador e vice-Reitor da Universidade Joaquim Chissano – avança que, na verdade, se trata de um manual “que se desloca um pouco do conflito geral entre Estados ou de guerra, apesar de todas as teorias servirem para todo tipo de conflito”.

A ocasião serviu para uma breve avaliação da conjuntura mundial nos dias que correm. Na esteira disso, sobre a guerra no Médio Oriente afirma que os efeitos giram em torno de percepções. “São percepções porque, na prática, se não se estivesse a falar tanto, o petróleo que está a circular poderia ser suficiente para fazer o abastecimento”.

Questionado sobre o papel dos povos africanos na resolução dos problemas locais, Wache observa que o nosso discurso é de vítima. Declara, na sequência, que “fico surpreendido com a paixão que temos pela escravatura e colonização, e a despaixão que temos em relação ao futuro”

Professor, o foco mundial está na guerra no Médio Oriente. Entretanto, fica a impressão de que se está a criar um vácuo na mediação dos conflitos em África….

Dá essa impressão, tem toda a razão. E não é só este conflito que ficou esquecido com a questão do Irão, Israel e Estados Unidos da América; o conflito da Palestina ficou esquecido, que é do Médio Oriente (MO) e estava muito forte; o conflito da Ucrânia, o do Sudão, do Ruanda, e até o nosso conflito (o terrorismo aqui em Moçambique).

Mas isso é normal, porque acontece uma coisa que nós chamamos securitização, que é um processo tanto ascendente como descendente do tratamento dos assuntos, que normalmente existem, mas estão latentes. E o conflito entre os Estados Unidos e o Irão sempre existiu, desde 1979; o nosso existe desde 2017; do Sudão é de mais ou menos 2023, mas já é antigo.

O que acontece na verdade é que tudo depende do nível de importância que se dá aos eventos. E até vejo que a media joga nesse processo, pois vai dizendo o que está a acontecer, descreve e as pessoas prestam mais atenção. Consequentemente, ele (o conflito) ascende do latente para o político e aqui exige uma intervenção extraordinária dos políticos…Leia mais…

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