TEXTO DE BERNARDO JEQUETE
A Polícia da República de Moçambique (PRM) deve apertar o cerco nas linhas fronteiriças na província, com vista a combater o contrabando de produtos e a migração ilegal, que contribui para o aumento do número de garimpeiros ilegais.
O apelo foi feito esta segunda-feira, durante o encontro de saudação à governadora de Manica, Francisca Tomás, por ocasião da passagem dos 51 anos da PRM, celebrada no domingo sob o lema “PRM 51 Anos Reafirmando Compromisso com as Comunidades no Combate à Criminalidade, Terrorismo, Sinistralidade Rodoviária e a Corrupção”.
Para a governadora, a insegurança nas fronteiras está a fomentar a imigração irregular e o contrabando, acções que afrontam a soberania nacional e afectam as receitas que geram divisas para a economia do país.
Segundo Francisca Tomás, estas acções contribuiriam para outros desafios transnacionais, especialmente a mineração ilegal, que foi apontada como um problema crítico da actualidade.
“Este problema apresenta um impacto multidimensional. Nas áreas onde esta actividade é praticada, há uma forte e elevada presença de indivíduos estrangeiros, a maioria em situação irregular. Temos registado mortes por desabamentos de terra, conflitos violentos, crimes de homicídio, trabalho infantil, destruição dos ecossistemas e degradação dos solos”, explicou.
A governadora apelou à pronta intervenção da PRM, salientando que o governo provincial vê esses desafios como oportunidade para reforçar a parceria com as autoridades policiais, em prol de uma província mais segura, justa e próspera.
“Manica não pode ser palco de mortes, criminalidade e acidentes de viação. A nossa fronteira não deve ser um corredor para imigração ilegal e contrabando, nem as nossas riquezas mineiras devem estar associadas à insegurança”.
Disse ainda que a PRM, enquanto instituição responsável pela ordem e segurança pública, deve implementar estratégias específicas para cada desafio, aliando formação e disciplina para uma polícia mais profissional e íntegra.
O comandante provincial da PRM, João Mupuela, confirmou que a polícia tem estado a intensificar o controlo e combate à criminalidade, sinistralidade rodoviária e ao contrabando de produtos bem como a imigração especialmente dos cidadãos provenientes da África do Sul e do Zimbabwe.
Durante o primeiro trimestre, a PRM registou sete acidentes de viação, contra 18 no período anterior, o que resultou em 16 óbitos contra 34, cinco feridos graves contra 14 anteriores e 23 feridos ligeiros contra 42.
Os danos materiais também reduziram, ao se contabilizar 16 casos neste período contra 34 do anterior.



