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PR ausculta preocupações da diáspora em Bruxelas

Por Jornal domingo
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O Presidente da República, Daniel Chapo, reuniu-se ontem, em Bruxelas, com a comunidade moçambicana residente na Bélgica, Países Baixos e Luxemburgo (BENELUX), num encontro marcado pela auscultação directa das preocupações da diáspora e pelo reafirmar do compromisso estatal com a segurança e o desenvolvimento económico.

Durante a interacção, inserida na sua primeira visita oficial à União Europeia a convite do Presidente do Conselho Europeu, António Costa, o Chefe do Estado destacou a importância estratégica da parceria com o bloco europeu para o combate ao terrorismo em Cabo Delgado e a atracção de investimentos que visem a criação de emprego para jovens e mulheres. “Quero agradecer a vossa excelente mensagem e, sobretudo, as preocupações da comunidade moçambicana aqui residente, porque é nossa tarefa, é nossa responsabilidade ouvir, registar e trabalharmos para irmos resolvendo as preocupações, que são todas legítimas”, afirmou o estadista moçambicano, no início da sua alocução.

O estadista sublinhou que a visita à sede da União Europeia visa aprofundar laços em domínios estratégicos, expressando gratidão pelo apoio europeu no combate ao terrorismo e na assistência humanitária às populações deslocadas no norte do país.

No plano económico, enfatizou a necessidade de reformas estruturantes para melhorar o ambiente de negócios e atrair capital estrangeiro. O governante apontou a burocracia e a corrupção como entraves que devem “passar para a história”, revelando a criação do Gabinete de Reformas e Projetos Estratégicos na Presidência. “Ainda há corrupção, temos que trabalhar, todos nós como moçambicanos, unidos no combate a este mal, que é a corrupção”, declarou, reforçando que a digitalização do Estado, agora sob a tutela de um ministério específico, é uma prioridade para modernizar a administração pública.

O Chefe do Estado detalhou ainda a relevância dos megaprojetos de gás natural, mencionando os investimentos da ENI, Total e ExxonMobil, que totalizam dezenas de biliões de dólares.

Segundo informou, o Governo está a trabalhar para garantir que estes projectos gerem oportunidades para os moçambicanos, instruindo a Direcção Nacional do Trabalho Migratório a priorizar a contratação de quadros nacionais, residentes no país ou na diáspora, sempre que possuam as competências necessárias para as vagas disponíveis.
A comunidade moçambicana no BENELUX, por sua vez, apresentou uma mensagem de resiliência, destacando a sua integração em sectores como finanças, indústria digital e engenharia.

Contudo, expuseram dificuldades críticas, como a necessidade de se deslocarem a Berlim (Alemanha) para obter documentos de identificação, a impossibilidade de exercer o direito de voto e entraves na conversão de cartas de condução. Como solução, sugeriram a criação de um “guiché do imigrante” para centralizar e facilitar o tratamento de processos administrativos.

Em resposta, o Presidente Daniel Chapo destacou a nomeação, pela primeira vez, de uma Secretária de Estado dedicada às comunidades na diáspora, visando valorizar o capital intelectual e a experiência dos moçambicanos no exterior.

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