TEXTO DE MICAELA MEQUE
O acesso ao transporte público continua a ser um dos principais desafios enfrentados por estudantes em vários pontos da cidade e província de Maputo, afectando a assiduidade e o aproveitamento escolar.
Longas filas nas paragens, superlotação dos “chapas” e tempos de espera prolongados fazem parte da rotina diária de muitos alunos que acabam por perder aulas e avaliações devido a dificuldades de mobilidade. Manuela Omar, estudante da Escola Secundária da Matola e residente no bairro de Tchumene, no município da Matola, vive esta realidade todos os dias.
A frequentar aulas no período da manhã, afirma que a deslocação até à escola tem sido um verdadeiro desafio. Apesar de sair de casa cedo, enfrenta filas extensas e longos períodos de espera pelo transporte. “Mesmo saindo cedo, na paragem levo muito tempo para aceder ao transporte. Depois disso, temos que esperar que o autocarro fique lotado. E na escola, passados cinco a dez minutos da hora de entrada, o guarda encerra o portão”, conta.
Como alternativa, Manuela tem recorrido, sempre que possível, a “boleias pagas” de carros particulares para evitar atrasos.
Situação semelhante é vivida por Edson Moamba, residente na localidade de Mulotane, no distrito de Boane. Estudante na Escola Secundária de Lhanguene, na cidade de Maputo, partilha que a superlotação e a escassez de transporte são os principais obstáculos para chegar a tempo às aulas. Apesar de entrar às 12h30, sai de casa duas ou três horas antes. Mas, ainda assim, o risco de atraso não deixa de existir.
“Apanho dois ‘chapas’. Mas quando chego à paragem, há sempre enchentes. Os cobradores não consideram o facto de sermos alunos”, queixa-se e acrescenta em jeito de protesto. “Acho que devia haver ‘chapas’ só para estudantes”.
Por causa da deficiência dos transportes, Ánica Novela, estudante da Escola Secundária da Machava- -Sede e residente no bairro Matola-Gare, também observa uma rotina difícil. Leia mais…



