TEXTO DE MICAELA MEQUE
Teve infância feliz. Brincou e sonhou como qualquer outra menina. Estudou e praticou desporto (andebol), artes marciais e foi bailarina. Gostava de estar em movimento, de sentir o corpo leve, de viver intensamente. Nada fazia prever que, anos mais tarde, enfrentaria um dos maiores desafios da sua vida, que a obrigaria a reaprender lidar com o mundo de outra forma. E Isaura Chirindzane, de 50 anos, carrega uma energia que contagia.
Esta mulher de voz firme, sorriso brilhante e vaidosa, conta ao domingo a sua historia de vida.
Foi aos trinta anos, quando já era mãe de dois filhos, que a sua visão “apagou-se” de uma forma súbita. Não houve nenhum diagnóstico, nem sintomas prévios.
“O médico disse que houve um problema neurológico que danificou o nervo óptico, o que originou a cegueira”, revelou. Descreve esse momento como um “apagão”, no entanto, não se deixou consumir pelo desespero. Justifica-se afirmando que “se a vida me trouxe até aqui, é porque tinha algo para me ensinar”. Refere que assim nasceu uma nova Isaura. “Nasci de novo. Levantei-me e segui de cabeça erguida”, completa.
DESAFIOS
Para Isaura Chirindzane, ser mulher com deficiência visual em Moçambique é um exercício constante de coragem e persistência. Nos primeiros anos enfrentou o preconceito e a discriminação. Leia mais…



