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ASTRONAUTA ANÁLOGO: Fernando e a missão de levar Moçambique ao Cosmos

Por admin
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É o primeiro astronauta análogo no país. Um título conquistado em Fevereiro do presente ano, depois de ter participado de um treinamento organizado pela AAKA Space Studio – a primeira empresa de arquitectura espacial e missões análogas da Índia e Canada. Sua paixão pela área surgiu em 2019, quando se formava em Arquitectura na Universidade Eduardo Mondlane. E, desde o contacto que teve com o mundo da Astronáutica Análoga, no deserto de Sal, em Dholavira/ Kutch, na Índia, Fernando Cavele, matolense de gema, ganhou ainda mais fascínio.

Inspira-se em Elon Musk e Edson Jequecene e afirma que tem capacidade suficiente para aplicar o conhecimento que tem da área. É ainda praticante de artes marciais, há 10 anos, com destaque para capoeira. Igualmente poeta, fotógrafo e violinista, actualmente, é estagiário numa empresa de consultoria de engenharia.

Em entrevista ao domingo, Cavele partilha os seus sonhos e a sua experiência de vida aos 25 anos de idade.

Quando é que surge o interesse pelo espaço e pela carreira de astronauta?

Surge em 2019, quando ingressei na Faculdade de Arquitectura da Universidade Eduardo Mondlane (UEM), numa das aulas de Física Aplicada, na qual comecei a ter o interesse em pesquisar mais sobre Astronomia. Conheci o primeiro clube de astronomia em Moçambique, chamado “Detectives do Cosmos”, liderado por Edson Jequecene.

Fale-nos desta profissão pela qual se apaixonou

Existem astronautas profissionais e análogos. Os profissionais são aqueles que são treinados e certificados pelas agências espaciais como a National Aeronautics and Space Administration (NASA) e European Space Agency (ESA), entre outras, enquanto os análogos, geralmente, são exercitados em ambientes simulados na terra para estudar condições humanas e sistemas tecnológicos espaciais. Analisam até que ponto os sistemas são viáveis para ir ao espaço, tendo em conta o ser humano. Eles são treinados em locais desérticos, frios, extremos e isolados.

Foi o seu caso?

Sim. O meu treinamento foi num ambiente isolado de tudo, inclusive de interacção com pessoas, com temperaturas extremas em que de manhã fazia muito calor, e de noite frio.

Por que temperaturas extremas?

Porque os tripulantes queriam perceber até que ponto nosso corpo reage a esse tipo de situações. Fomos treinados para liderar pesquisas científicas ligadas à Engenharia Aeroespacial, Biotecnologia, Astrobiologia, Arquitectura e Engenharia Civil. Considera-se um astronauta? Considero-me um astronauta análogo, pois fui treinado, tenho capacidade suficiente para responder a muitos processos, caso me coloquem numa situação em que posso aplicar o aprendizado. Mas como astronauta profissional falta muita coisa por aprender. É preciso ser multidisciplinar, ter capacidade de responder a cenários diferentes. Tem que ter noção de ciências humanas e tecnológicas.

­Alguém o inspirou a seguir essa carreira­­?

A primeira inspiração foi o meu professor de Física Aplicada. Também tenho pessoas que me influenciam a seguir o trajecto deles. Por exemplo, Elon Musk e Edson Jequecene, este último que foi uma das pessoas que criou iniciativa sobre astronomia em Moçambique e gerou caminhos para quem tem interesse nesse ramo. Leia mais…


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