Esta coisa de viver em democracia, que ao contrário do que se diz não pertence àqueles que dela se apropriam como laranjas, mas a todos, impele-nos a seguir, com inusitado interesse, os espectáculos que se vão sucedendo, aqui e ali, por uma oposição que parece se inspirar no “Big Brother” quando desata a arrulhar, em alguns casos com mimos que mais parecem sevícias entre confraria e periferia. Bula-Bula confessa que já perdeu a conta dos episódios de bufaria que assistiu, por isso mesmo as transformou numa ópera de vários actos, com destaque para os coros e duetos que emprestam um “vibrato” especial a verdadeiras cenas de pancadaria.
Ópera verde-alface
O verde-alface esteve em evidência, de barítono e tenor de baixo calão, na agitada cidade de Nacala- -Porto, onde até aqui o normal era vermos um azul-cobalto debruado de vermelho-sangue, depois de mais uma escaramuça da perdiz e de mais uma épica ocupação de sede Ora, Bula-Bula desconfia que também na ópera das coças entre congéneres e similares, o partido de Ossufo Momade começa a levar bigode do Anamola, se quisermos contabilizar as fracturas cranianas, os perónios esmigalhados ou os narizes ensanguentados de uma e de outra agremiação política.
Nesta ópera verde-alface do Anamola aparece tudo aquilo que o dono do partido diz abominar, a fraude eleitoral. A história que se conta é que Abu Bakar, que concorria para o tacho distrital de delegado, fez batota, daquelas fraudes grossas e descaradas, molhando as mãos e a consciência dos votantes com notas de valor facial não especificado. Bula-Bula, que assistiu apavorado ao sangrento movimento contestatário do pós-eleitoral, durante o qual se vociferava o bordão “este país é nosso!”, está à espera de ver, até por se tratar de uma fraude interna, os discípulos de Venâncio a espancarem-se, mútua e entusiasticamente, ao som da ópera “este partido é nosso, este partido é nosso!”…

Ópera azul-cobalto
Já não surpreende Bula-Bula esta troca de mimos entre os correligionários de Ossufo Momade, cujo paradeiro continua incerto. Cansados de perder protagonismo para o Anamola, os apaniguados da Perdiz envolveram-se em confronto feio na ainda desocupada sede provincial da Renamo em Nampula.
O balanço, provisório, dá uma ligeira vantagem ao partido de Ossufo, que contabiliza oito feridos, alguns dos quais graves, à melhor dos dois confrontos, o de Nampula e o de Nacala-Porto, onde o número de fracturas cranianas e os narizes ensanguentados não foram apurados até ao fecho da presente edição de Bula-Bula.
Preocupado com o aparente genocídio na sede da delegação provincial da Renamo em Nampula, mais ainda mais preocupado com a integridade física da sua actual inquilina, Abiba Abá, Bula-Bula procurou saber de fontes locais os pormenores sobre a carnificina e encontrou este relato do jornal Rigor, que transcreve com a devida vénia:
“Pelo menos oito membros da Renamo ficaram feridos — alguns com gravidade — na sequência de um confronto ocorrido esta quinta-feira (11) na delegação política provincial do partido, em Nampula.
O incidente registou-se momentos depois de uma conferência de imprensa em que a formação política denunciou um alegado grupo de “descontentes” que estaria a tentar impor uma coordenação paralela.
Segundo uma publicação do Rigor, o tumulto começou quando um grupo de militantes decidiu marchar até à sede do partido para “aclamar” um suposto coordenador provincial eleito de forma informal. Munidos de objectos contundentes, os indivíduos partiram da zona da rua de Moma, onde funciona uma estrutura paralela, passaram pelo Parque Popular e terminaram na sede oficial, junto aos bombeiros, onde deflagrou o confronto.”
Esta é a ópera narrativa, com orquestração baseada na paulada lesta, cacetada ágil e ripada frenética…




