Precisamente por isso, porque tudo o que brilha em Manica é ouro, a província atrai toda a sorte de pessoas, desde os garimpeiros a solo, que escavam e exumam a vida dos rios para conseguir umas tantas pepitas, por menos quilates que tenham; até aos graúdos, tudo gente grande, com poder, que firmam empresas, buscam um punhado de chineses para esgravatar e escarafunchar, sem piedade mas com profundidade, as entranhas da terra, o leito dos rios e tudo quanto possa esconder o metal amarelo.
Bula-Bula não tem nada contra pessoas que buscam a vida e o sustento, desde que isso não signifique tirar a vida de coisas que por acaso não são menos preciosas que o ouro, como são os rios, os seus afluentes e ecossistemas. O que está a acontecer em Manica faz lembrar a corrida ao ouro na Califórnia, que durou de 1849 a 1855 e atraiu para os Estados Unidos gente de todo o mundo.
Durante esses cinco anos de frenético garimpo, sem mãos e ambições a medir, muitos ficaram ricos, mas também floresceram os pulhas, os calhordas e, como não poderia deixar de ser, a Califórnia é aquela fotografia ambiental que mais parece Marte, mesmo tendo passado mais de século sobre a tal abalada, disparada, em busca do ouro, incluindo o Billy the Kid e o Joaquim Murrieta, aquele mexicano que roubava o ouro dos americanos como forma de lutar contra a discriminação racial! Leia mais…




