Um daqueles vídeos que inundam as redes sociais chamou a atenção de Bula-Bula que, vez e outra esquadrinha o telefone à procura de uma asnice que mereça ser rebatida, como esta película que homenageia a ignorância, mas, mais do que isso, descredibiliza uma instituição que devia merecer todo a nosso respeito: a Faculdade de Letras de qualquer que seja a universidade.
O enredo parece começar com uma alegada fraude numa eleição para o Núcleo de Estudantes na dita Faculdade de Letras em que, a páginas tantas, aparecem umas urnas plásticas pejadas do que parecem ser votos com a inscrição “Robo”. O filme continua com a personagem principal aos berros, vociferando impropérios e procurando associar a dita eleição a outras onde também pode ter havido “Robo”.
Mas o melhor ainda estava para vir. A nossa estrela de cinema, aluna da tal Faculdade de Letras, sentindo que precisava explicar a Bula-Bula e a todos os internautas, o que as imagens estavam a mostrar, desatou outra vez aos berros, com a voz esganiçada:
– Houveram fraudes, houveram fraudes! Acabaram de trazer estas urnas aqui, olhem!
Bula-Bula ficou tão estarrecido que não resistiu a, pelo menos, explicar à aluna da prestigiada Faculdade de Letras que o verbo “haver” é impessoal quando significa “existir” ou “acontecer”, o que quer dizer que não tem um sujeito e, por isso, não pode ser flexionado para o plural, coisas que, aliás, a figurante iletrada já devia saber antes de mesmo ousar entrar para uma Faculdade de Letras!
Às vezes Bula-Bula pensa que está a exagerar e a ser muito sensível… (x)



