Este George Orwell era prodigioso, só podia, admirável por ter criado uma fábula sempre presente, um espaço onde Bula-Bula encontra, aos dias de ontem e de hoje, alguns dos protagonistas do seu livro atemporal, inextinguível, “A Revolução dos Bichos”, um lugar tomado por um alfeire lunático, porcos de extravagância nas ideias, logo o transformando no mais conhecido chiqueiro da literatura.
Assim numa espécie de sinopse a dois tempos, Bula-Bula revisita os momentos revolucionários da aludida porcaria, populista e esperta, que expulsa o fazendeiro, seu dono e senhor, e escreve palavras de ordem nas paredes da nova república da vara porcina, entre elas a mais marcante e também a mais intensa, “Todos os animais são iguais”!
Mas os ideais de equidade, de uma nova ordem de justiça, suína e progressista, como nos conta George Orwell, vigoram por pouco tempo na fazenda transformada em pocilga; os porcos mais espertos que outros deixam de comungar a igualdade animal, propalada pela sua própria revolução, emborcam os whiskies do ex-proprietário da sua posse, andam em duas patas como aqueloutro e, aos poucos, transformam-se eles mesmos em latifundiários.
O jargão, “Todos os animais são iguais”, perde-se nos vícios, e começa a ganhar formato diferente, autoritário, implacável com os porcos menos espertos, subjugados a uma nova tirania, suína e esperta. Bula-Bula termina esta leitura apressada da “Revolução dos Bichos” com a adenda jurídica que, no entretanto do tempo, se atrelou à frase: “Todos os animais são iguais, mas alguns mais iguais que os outros”! Leia mais…



