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CARLOS UQUEIO: “O repórter de sombras e esperança”

Por Maria Cossa
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Formou-se em Química Analítica no Instituto Industrial e Comercial da Matola, mas é na fotografia que encontrou a sua paixão e decidiu assentar.

Hoje, com 18 anos de estrada, Carlos Uqueio partilha, em livro – “Repórter de Sombras e Esperança: A fotografia como testemunho da reportagem” – memórias, sensibilidades, alegrias e tristezas, próprias e dos outros, captadas durante este percurso. A ser lançado na quarta-feira, dia 22, na sede do BCI, na cidade de Maputo, o livro tem 108 páginas e é prefaciado pelo antigo primeiro-ministro Carlos Agostinho do Rosário.

Em conversa com domingo, jornal onde se “afiou” e vem sagrando-se uma grande referência, Uqueio diz pretender, entre outras, propor uma reflexão sobre as mudanças climáticas, que vieram para ficar, e os seus efeitos. Tal sugestão, pode-se ver no primeiro capítulo do livro em que nos conduz, com fotos e texto, ao ciclone Idai que devastou o centro de Moçambique, em 2019. Enquanto fotojornalista, Uqueio acompanhou de perto o fenómeno, fotografou e eternizou, através da sua lente, o caos que se instalou, subitamente, na cidade da Beira. Depois, em fotografia e em texto, leva-nos ao ciclone Kenneth, que passou do Norte de Moçambique.

O cenário é dramático: estradas cortadas, rios que galgavam os passeios, destruíam e “engoliam” tudo o que podiam. Captou, entre lama e incerteza, olhares cansados, mãos solidárias e estruturas caídas. “Foi preciso sensibilidade, respeito e firmeza para registar estes momentos”, conta o fotojornalista e sublinha: “mas, o mais importante é que mesmo diante de ruínas há sempre algo que resiste: a dignidade de um povo, a força que mesmo diante do caos, não desiste.

É na verdade por conta disto que o temos no título do livro “Repórter de Sombras e Esperança”. Essa força incrível que nós os moçambicanos temos mesmo diante de dificuldades extremas”. Dividido em sete capítulos, o livro faz-nos viajar também a um tempo não longínquo, mas tenebroso: o período da pandemia da Covid-19, quando Moçambique e o mundo, em geral, viviam na incerteza. Aquela época em que estar perto do outro parecia uma missão suicida.

Era o tempo dos funerais e casamentos com gente contada aos dedos; da imposição do distanciamento social, lavagem constante das mãos, do encerramento de escolas, igrejas, salas de cinema, bares, discoteca… de um mundo enclausurado, onde a máscara, álcool em gel, recolher obrigatório e as vacinas eram a melhor armadura do Homem. Leia mais…


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