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As equações da manutenção de equipamentos médicos

Por admin
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Por detrás do atendimento médico, que inicia com uma consulta e termina num diagnóstico e medicação/ terapia, existe uma máquina que permite que este processo se concretize. Nos casos em que o aparelho é único, quando avaria, o caos instala-se. E, muitas vezes, a solução está na sua reparação ou substituição.

No entanto, este acto envolve equações de “tirar o sono” às entidades da Saúde. O Serviço de Radioterapia, do Departamento de Oncologia do Hospital Central de Maputo (HCM), é um destes exemplos. Na Sala Linac, o imponente aparelho de radioterapia, guarnecido por paredes de betão e uma porta metalizada, aguarda pelo dia que voltará a receber pacientes para tratamento. Está inoperacional desde Dezembro.

As notícias que chegam dos bastidores não são agradáveis. O quadro clínico dos pacientes que haviam iniciado tratamento do cancro tende, a cada dia, a agravar-se. No entanto, da parte da Saúde, a “matemática” envolvida na resolução do problema tem-se mostrado complexa. É que há muito por se equacionar: Além do altíssimo custo de aquisição, é um dos equipamentos cuja manutenção o sector tem recorrido à assistência externa. Já se perdeu a conta das vezes que avariou. Da penúltima, chegou a ficar inoperacional cerca de 15 meses.

No Departamento do Serviço de Imagiologia, outro equipamento, também de vital importância para o sector, parou de funcionar. É a Tomografia Computorizada (TC). Dos dois aparelhos que o sector possui, um encontra-se inoperacional, há cinco meses, devido a uma avaria provocada pela oscilação da corrente eléctrica, o que tem comprometido a fluidez da demanda pelos serviços. Enquanto isso, há dois meses que o Hospital Provincial de Nampula se ressente da avaria do aparelho de ressonância magnética.

A máquina prestava assistência às regiões Centro e Norte do país. A causa é, também, a instabilidade da corrente eléctrica. Se na maior unidade sanitária do país o mesmo equipamento tem como média diária de atendimento de 13 pacientes, o que dizer da demanda, tendo em conta que a ressonância magnética instalada em Nampula cobria as duas regiões acima referidas?

Por isso, actualmente, o equipamento que se encontra no Hospital Central de Maputo é mantido sob vigia, por 24 horas. É que, num passado recente, registou uma avaria devido à oscilação da corrente eléctrica que inutilizou alguns componentes, tendo obrigado à substituição de todo o seu sistema de alimentação. Esta vigia, também, prende-se ao facto de o seu sistema de refrigeração ser feito com base no uso do hélio-um, composto líquido fundamental e extremamente caro, proveniente dos Emirados Árabes Unidos.

No bloco operatório da mesma unidade sanitária, o intensificador de imagem também está danificado. Trata-se de um dos três novos aparelhos distribuídos a nível dos três hospitais centrais do país (Nampula, Beira e Maputo), mas que está há um mês avariado.

CUSTOS E MÃO-DE-OBRA

Deficiente manutenção preventiva, escassez de profissionais altamente qualificados para a assistência de equipamentos, associados ao facto de as instalações do serviço de saúde não terem acompanhado o desenvolvimento dos equipamentos de alta tecnologia, sobrecarga das infra- -estruturas em termos de capacidade para acomodar a quantidade de aparelhos, sobretudo devido à sobretensão eléctrica, são apontados como razões que contribuem para as constantes avarias e danificação dos equipamentos.

De acordo com o responsável pela área de Meios Auxiliares de Diagnóstico Médico, no Ministério da Saúde, Félix Pinto, outro desafio está na onerosidade dos aparelhos, na sua maioria com uma tecnologia de ponta e de alta performance. A título de exemplo, a reparação de uma máquina de ressonância magnética está estimada em cerca de 22 milhões de Meticais. Por sua vez, o aparelho da Tomografia Computorizada (TC), que se encontra inoperacional na HCM, ronda aos dois milhões de Meticais.

De acordo com a Direcção Nacional de Assistência Médica, a reparação e manutenção anual do aparelho de radioterapia do HCM estão estipuladas em 61 milhões de Meticais anuais. Por detrás do custo, estão vários factores ligados à sua complexidade, tendo em conta que se trata de uma máquina de tecnologia nuclear com várias componentes e subcomponentes que comandam muitos sistemas. A este facto equaciona-se também a vulnerabilidade deste aparelho à condição climática.  Leia mais…

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