Texto de Luísa Jorge
luisa.jorge@snoticicas.co.mz
Fotos de Jerónimo Muianga
Sem voz e poder para decidir sobre si no seio da família e da comunidade onde vivem, várias raparigas vêem os seus direitos amputados e o destino das suas vidas em mãos alheias. Por isso, as uniões prematuras, a desistência escolar e os crimes de trato sexual com menores lideram a lista dos tipos de violação dos direitos deste grupo social.
A situação é preocupante. As denúncias de violação dos direitos das raparigas chegam das comunidades a cada minuto. São relatos de casos arrepiantes e que ferem o princípio de protecção e integridade física e psicológica das raparigas no seio familiar. Pais violam sexualmente as próprias filhas menores; raparigas são obrigadas a abandonar a escola para se casarem com adultos com a conivência dos próprios pais e ainda há crianças a enfrentarem a maternidade.
Os números são assustadores. No que diz respeito à desistência escolar, dados da Direcção Provincial de Educação de Inhambane apontam que, nos últimos dois anos, 5922 e 5173 raparigas, respectivamente, desistiram da escola por diversos razões.
No que diz respeito às uniões prematuras, em 2021 e 2022 a Direcção do Género, Criança e Acção Social de Inhambane resgatou 98 raparigas que se encontravam no lar. Leia mais…