Quatro pesquisadores do Instituto Superior de Relações Internacionais (ISRI), designadamente Paulo Wache, Iraê Lundin, Valter Fainda e Sérgio Gomes lançaram, semana finda, em Maputo, o livro intitulado “As potências emergentes na construção da multipolaridade inclusiva: uma abordagem comparativa das políticas externas dos BRICS”.
O livro, prefaciado pelo reitor do ISRI, Patrício José, procura trazer à tona um debate sobre a política externa dos países emergentes, nomeadamente Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.
Para a materialização da obra, os autores serviram-se, para além do material da sua própria pesquisa, de depoimentos recolhidos durante as mesas redondas relacionadas com o tema na qual participaram os embaixadores e altos-comissários dos BRICs, que dissertaram sobre a política externa dos respectivos países.
Segundo Paulo Wache, o livro mostra, também, um pouco do que podia ser a relação do poder no sistema internacional sem, necessariamente, “afirmar que o Ocidente está a decair, mas que outros países ascendem à sua posição e querem partilhar de igual modo o estatuto de potências globais. Em cada capítulo trazemos o estudo de Moçambique, mas primeiro, é a compreensão do mundo, pois as grandes potências trazem uma nova abordagem. Muitas vezes o Orçamento do Estado foi cortado, reduzido ou não desembolsado para pressionar a tomada de determinadas decisões no nosso país”, disse.
Aliás, uma particularidade dos BRICS é não usar condicionalismos políticos para autorizar financiamento para outros países.
“Na actualidade não é só o ocidente que é poderoso. Temos a Rússia, a China, a África do Sul, que, de alguma forma, vai atrelada como resultado da sua hegemonia na região, mas ainda não é uma potência global, ao contrário do Brasil e da Índia, tanto pela sua população como pela capacidade militar e extensão territorial. No seu conjunto, os BRIC’s representam 40 por cento da população mundial”, disse Paulo Wache.
Angelina Mahumane