A Alemanha chumbou, semana passada, na sua intenção de chegar a membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas (CSNU). É a sétima tentativa daquele país da Europa Ocidental, mas a primeira em que é derrotada mesmo quando as suas credenciais indicavam uma “vitória certa” contra os seus adversários. A narrativa oficial alemã tentou justificar o descalabro por uma suposta oposição da Rússia, que alegadamente trabalhou diplomaticamente contra Berlim devido ao forte apoio alemão à Ucrânia.
No entanto, essa justificação parece tentar minimizar, ainda que timidamente reconhecendo, o impacto que a posição do país sobre Israel e a sua guerra genocida em Gaza possa ter desempenhado no sentido de voto das Nações Unidas. É caso para dizer que a percepção de “uso de padrões duplos” na política externa da Alemanha pode ter tramado a intenção de o país regressar ao poderoso órgão das Nações Unidas que decide sobre a paz e segurança internacionais.
Foram realizadas, semana passada, eleições para o preenchimento de cinco assentos não permanentes no CSNU. Os eleitos foram Áustria, Quirguistão, Portugal, Trindade e Tobago e Zimbabwe. O apetecível Conselho de Segurança é o órgão da Organização das Nações Unidas incumbido da responsabilidade de manutenção da paz e da segurança internacionais.
A organização é composta por quinze membros, sendo cinco permanentes e dez não permanentes. Os permanentes, os “donos da organização”, aqueles que possuem o direito de veto sobre as decisões substantivas, são as cinco grandes potências vencedoras da Segunda Guerra Mundial, nomeadamente China, EUA, França, Reino Unido e Rússia.
Os não permanentes, a “fauna acompanhante”, aqueles que não possuem direito de veto, são membros eleitos pela Assembleia Geral, para mandatos de dois anos. Estes últimos são distribuídos por regiões geográficas: 3 para os Estados africanos; 2 para os Estados da Ásia-Pacífico; 2 para os Estados da América Latina e Caraíbas; 2 para os Estados da Europa Ocidental e Outros Estados; 1 para os Estados da Europa Oriental. Leia mais…



