Abbas e Israel “bloqueiam” eleições legislativas palestinianas

O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, anunciou o adiamento das eleições legislativas que estavam marcadas para o presente mês de Maio. Na sua alocução à “nação”, Abbas alegou o facto de o governo israelita não ter dado garantias de que permitirá que as eleições decorram nos territórios ocupados de Jerusalém Oriental, Faixa de Gaza e Cisjordânia. Ainda que pareça legítima a preocupação de Abbas, já que os territórios palestinianos estão sob ocupação israelita, o adiamento parece ser uma manobra tendente a evitar que o Fatah perca as eleições para o Hamas, tal como ocorreu em 2006 quando este último tomou controlo da Faixa de Gaza. Enquanto isso, o adiamento favorece o interesse de Israel em manter o controlo dos territórios, e as suas autoridades parecem estar tacitamente aliadas com Abbas na oposição à realização de eleições na Palestina.

O adiamento das eleições é anunciado três meses após ser anunciada a realização de eleições legislativas. A última vez que os territórios palestinianos foram às urnas para escolher os seus representantes foi há quinze anos, num pleito que viu o Hamas, grupo rotulado de terrorista pelos EUA e Israel, ascender ao poder na Faixa de Gaza. O resultado daquelas eleições levou a uma situação de os territórios palestinianos serem controlados, por um lado, por duas entidades, tendo o Fatah mantido o controlo sobre a Cisjordânia e o Hamas a Faixa de Gaza. Por outro lado, a vitória do Hamas levou ao “regresso” israelita ao controlo dos territórios palestinianos.

Por causa da vitória do Hamas em Gaza, em 2006, numa eleição considerada livre, justa e transparente, os palestinianos foram punidos pelo livre exercício do direito de voto. Aliás, o discurso da “liberdade, transparência e justiça eleitoral” é muitas vezes articulado quando é conveniente. Os palestinianos viram-se privados de acesso não só aos milhões de dólares recolhidos, em impostos, pelas autoridades ocupantes israelitas, como também as grandes potências ocidentais, especialmente os EUA, suspenderam os apoios que drenavam à Autoridade Palestiniana. A vitória do Hamas evidenciava o desgaste dos palestinianos em relação à incapacidade da Autoridade Palestiniana, liderada por dirigentes do Fatah, de libertar a Palestina e formar um Estado soberano. Com efeito, o Hamas era visto como uma alternativa na luta contra a ocupação de territórios palestinianos por Israel. A escolha dos palestinianos levou a um maior engajamento israelita nos territórios, que muitas vezes trava combates com militantes do Hamas. Leia mais...

Texto de Edson Muirazeque *

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