MUTHIYANA DE FIBRA: Despi-me de preconceitos

Nome: Amélia Sumbana

Idade: 40 anos

Naturalidade: Songo, Tete

Ocupação: Colectora de resíduos sólidos

Conquistas: depois de o pai abandonar a mãe e dez filhos para formar outra família, teve de pedir esmola. Chama-se Amélia Sumbana a “muthiyana de fibra” que, graças à ajuda de missionários católicos, concluiu o ensino básico em Songo, na província de Tete.

Tempos depois, porque as condições só pioravam, toda a família teve de trabalhar como empregados domésticos enquanto faziam machambas. Mas a mãe só permitia que trabalhassem meio período para irem à escola.

Em 2001, quando terminou o ensino médio, recebeu um convite para ser telefonista nos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), período no qual conseguiu uma bolsa para o ensino superior em Maputo. Teve de escolher entre o emprego e continuar a estudar.

Optou por estudar, por isso foi transferida para trabalhar em Maputo. Em 2006 terminou o curso em comunicação na Universidade Politécnica e durante 16 anos trabalhou na assistência médica, como assistente social, em Cahora Bassa.

Perdeu emprego e, consequentemente, a fonte de renda. Por temer reviver o passado difícil de Songo decidiu traçar novos rumos para a sua vida. “Despi-me de preconceitos e decidi fazer machambas para produzir e vender hortícolas. No meu quarteirão sou responsável pela limpeza. Propus aos moradores que eu fizesse a recolha dos resíduos no meu carro, a troco de 650 Meticais/família/mês”.

Solteira e mãe de filho de seis anos, referiu que com o seu trabalho consegue custear as despesas da faculdade de um jovem que acolheu na sua casa. Tem duas empregadas domésticas e consegue proporcionar uma vida melhor à mãe.

Sonhos: Investir no negócio de recolha de lixo porque é também um trabalho que gosto. Incomoda-me ver tanto lixo jogado em locais impróprios. Hoje tenho uma viatura e trabalho sozinha porque o número de casas que cubro não justifica mais.

 

Classifique este item
(0 votes)