O que há por trás da mulher em reclusão

Infringiram a lei e estão a contas com a justiça. Por motivos diversos, hoje, estas mulheres, para além da sentença, carregam mágoas, arrependimentos, solidão e a dor de estarem afastadas de familiares e amigos.

As lágrimas no canto do olho de M. Pedro podem ser reveladoras da profunda tristeza e, quiçá, arrependimento por se ter envolvido em um homicídio com o seu esposo. Tenta agir com naturalidade, mas o movimento irrequieto do seu corpo denuncia algum nervosismo enquanto interage com domingo.

Encontra-se privada de liberdade por ter participado de um assalto a uma residência com o seu marido, o qual culminou com a morte de uma mulher. Por causa disso foi condenada a 22 anos de prisão, tendo já cumprido quatro. M. Pedro sente remorsos... desejava que o tempo voltasse. Que não tivesse obedecido aos comandos do seu companheiro naquele fatídico dia. “Se eu soubesse, não teria saído de casa”, lamenta com os olhos afinados e testa franzida.

Conta que naquela manhã o seu esposo saiu cedo sem se despedir. Quando regressou, no dia seguinte, por volta das 6.00 horas, acordou-a e disse-lhe que deviam sair juntos. “Quando lhe perguntei aonde íamos, limitou- -se a dizer que eu saberia quando chegássemos ao local. Recusei- -me, mas com a sua insistência cedi. Chegámos a uma residência, no nosso bairro, e batemos a porta. A empregada abriu. Ao entrarmos, ele agrediu-a e mandou-me levar o plasma na sala, mas eu recusei-me e disse-lhe que queria ir embora”, conta, cabisbaixa. Leia mais...

TEXTO DE LUÍSA JORGE

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FOTOS DE INÁCIO PEREIRA

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