“Entre a espada e a espada”; os profissionais de farmácia e as práticas de dispensa de antibióticos sem receita médica

No artigo publicado no passado dia oito de Novembro, neste espaço, convidei-o(a) a reflectir sobre as práticas de automedicação com antibióticos. Em jeito de complementaridade, convidando-o (a) a mais uma reflexão. Nas seguintes linhas, escrevo sobre as práticas de dispensa de antibióticos sem receita médica. Tanto este como o anterior artigo surgem na esteira da pesquisa com recurso à metodologia qualitativa e compreensiva realizada na cidade de Maputo em 2019 sobre a utilização de antibióticos sem orientação médica. Ademais, a semana de 18 e 24 de Novembro foi de conscientização sobre a resistência antimicrobiana e a necessidade de utilização racional dos antibióticos mundialmente.

Para começar, clarifico que, enquanto os antibióticos são medicamentos utilizados para prevenir ou tratar infecções, a dispensa é o acto farmacêutico de distribuir medicamentos a pacientes, geralmente como resposta a uma receita médica. No acto de dispensa, o profissional da farmácia prepara, embala, rotula e transfere o medicamento ao paciente, informando e orientando sobre a necessidade de uso adequado do medicamento. Para efeitos deste artigo e para melhor compreensão, a dispensa de medicamentos será considerada a venda dos mesmos.

A prescrição ou receita médica é definida como a indicação escrita dos medicamentos, doses e modos de utilização, que é feita pelo profissional de saúde autorizado após avaliação clínica e/ou exames ao paciente. No caso dos antibióticos, em Moçambique e de acordo com a lei de medicamentos 12/2017, estes devem ser dispensados mediante a apresentação de receita médica.

Globalmente, nota-se que, enquanto os países de alta renda caminham no sentido do uso controlado de antibióticos, países de baixa renda movem-se na direcção oposta, com as populações a tomarem decisões terapêuticas que incluem a automedicação. Segundo a Organização Mundial da Saúde, mais de 50% dos antibióticos disponíveis no mercado farmacêutico são adquiridos sem receita médica, e os países de baixa e média renda onde a carga de doenças infecciosas é alta têm as maiores taxas de utilização inapropriada de antibióticos. Leia mais...

Texto de Neusa F. Torres*

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