MUTHIYANA DE FIBRA: Comecei a trabalhar para diminuir o sofrimento da minha mãe

Nome: Josseline Bartolomeu

Idade: 21 anos

Naturalidade: Niassa, Mandimba

Residência: Maputo

Ocupação: Estudante e comerciante

Conquistas: Ela é um ser humano virtuoso e batalhador. Traços que se revelaram desde a infância. Falamos de Josseline, a jovem “muthiyana” do jornal domingo, que se tornou uma mulher de fibra ainda muita nova, numa altura em que frequentava a 8.ª classe, numa das escolas da cidade de Maputo. “Comecei a trabalhar quando tinha 15 anos de idade, para diminuir o sofrimento da minha mãe. Não vi outra alternativa, se não ajudar de certa forma. Comecei a fazer tranças”, uma arte que assimilou com base na observação: “ningúem me ensinou, fui apreciando o que os outros faziam; chamava as minhas amiguinhas e praticava...”, lembra. O valor ganho pelas primeiras tranças remuneradas - “15 Meticais” - serviu para comprar cacana e tomate, e “fiz um guisado”, diz aos risos. Na verdade, Josseline, as suas irmãs e a sua mãe passavam por um momento difícil nas suas vidas: “o meu pai saiu de casa e deixou-nos numa situação precária. Fiquei muito magoada com essa atitude, mas...”.

Com efeito, o primeiro salário (15 Meticais) significou muito para a então adolescente, que cuidava da sua irmã mais nova, quando a mãe saía para trabalhar. Para si, tratou-se de uma vitória: “naquele dia, fiquei feliz, não queria que a minha irmã passasse por dificuldades”, facto que deixou surpresa a sua própria mãe: “ao regressar do serviço, perguntou ‘como é que aqui em casa tem comida, se eu não deixei nada?...’”, conta Josseline. Mais tarde, arranjou um emprego, num salão de cabeleireiro, nas Mahotas. Recebia 1500 Meticais. Nessa altura, estudava e trabalhava. Deste valor, “tirava mil Meticais para dar a minha mãe e os restantes 500 Meticais dividia com as minhas irmãs para custearmos as despesas da escola”, revela.

Entretanto, em algum momento da sua vida, após concluir a 10.ª classe, “deixei de estudar, para trabalhar. Consegui emprego na zona da Mafalala (arredores da cidade de Maputo). Mas, por uns 2 meses, a minha mãe não sabia que eu tinha abandonado a escola. Soube mais tarde”. E a sua reacção “foi um misto de emoções (boas e não tão boas). Com efeito, ela sugeriu que eu fizesse cursos profissionalizantes. Fiz inglês e informática, no período nocturno”. Hoje, cursa hotelaria e turismo e faz negócios. “Vendo acessórios para meninas; faço tranças ao domicílio e também em casa”. Facto interessante é que a “muthiyana” de fibra do jornal domingo é super dinâmica, de tal modo que “quando vejo que o movimento na banca é fraco, pego em alguns artigos e faço vendas porta-a-porta. Circulo à procura de clientes (sendo que) está a valer a pena. É diferente de ficar em casa, sem nada a fazer”, defende.

Sonho: “Empreender na minha área de formação. Após a conclusão do curso, pretendo preparar refeições e vender em forma de ‘take-away’, e, mais tarde, ter o meu próprio restaurante, afirma.

Classifique este item
(0 votes)
Última modificação: Sexta, 30 Outubro 2020 10:54