O misterioso número sete

Os números, para o comum dos mortais, representam quase sempre um “problema”. Bula-bula tem a experiência, sempre dolorosa, de fazer continhas com o ordenado mensal… aquilo só visto… são contas de somar, dividir e subtrair que nunca dão em nada de tão curto que é o famoso vencimento.

Deve, portanto, vir daí a paixão dos moçambicanos pelos números… sim uma grande paixão que se tornou viral, para usar uma linguagem moderna. Aquilo são números que nunca mais acabam…

Ora vejamos; todos os dias somos bafejados pelos anúncios de empreitadas que usam e abusam do número sete. Decide-se construir uma casa de banho pública, sete milhões. Um posto policial, sete milhões. Um balneário numa escola, sete milhões… é isto, é aquilo, sete milhões.

Vale lembrar que há alguns ciclos não muito recuados, sete milhões era o quinhão reservado para o desenvolvimento distrital; quer dizer, cada distrito recebia do bolo estatal sete milhões para promover o desenvolvimento local, mas hoje, para fazer-se uma casa de banho, gasta-se a mesma maquia. Coisas da modernidade; as tais retretes devem ser mesmo sofisticadas ao ponto de dosearem a temperatura certa de água para a higienização!

Alguma coisa não anda bem… ontem o valor servia para um distrito, hoje só dá para construir uma retrete… cheira a esturro e não nos venham cá falar de desvalorização da moeda, covid-19 ou ciclone Idai. Há nesse negócio qualquer coisa mística ou há muitas facilidades tropicais na gestão da coisa pública.

Bula-bula pensa que é daí - das facilidades tropicais - onde nasceu a loucura pelo número sete, esse número místico, misterioso, aritmeticamente “esquisito” e, principalmente, considerado o número da criação do mundo. O 4 simboliza a terra e o 3 simboliza o céu, que juntos totalizam o 7 que simboliza a totalidade do universo. Só pode ser esta a explicação para este coisa dos sete paus…

Por isso - já que o assunto não merece atenção de mais ninguém - e muito mais, viva o número sete!

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