Privados ainda receosos na cabotagem marítima

Após três meses de operacionalização, a cabotagem marítima assegurada por dois navios da Sociedade Moçambicana de Cabotagem (SMC) está a registar perdas de receita por causa da fraca adesão dos agentes económicos. A empresa prestadora do serviço assegura que já está a operar à beira do “vermelho”, mas o sector privado insiste que as tarifas praticadas continuam altas.

A expectativa do Governo ao abrir espaço para a realização de investimentos nesta área era de ver as empresas envolvidas a transportarem mais carga a menor custo para beneficiar o consumidor final que passaria a pagar menos.

Esperava que também houvesse uma dinamização da comercialização agrícola, facilitação do escoamento da produção para alimentar os principais centros de consumo e a revitalização das infra-estruturas portuárias da rede terciária.

O Governo previa que a cabotagem dinamizasse a economia dos distritos costeiros e criasse postos de emprego directos e indirectos, entre outros impactos positivos para a economia nacional.

Entre os ganhos esperados também consta a redução da pressão no sistema rodoviário nacional, uma vez que, só no ano passado (2019), 40 por cento da carga manuseada no país trafegaram por estrada e 90 por cento dos passageiros também circularam por esta via.

Outros benefícios estão relacionados com a eliminação de situações de roubo e desvios de mercadoria, um forte impacto na redução da sinistralidade rodoviária, elevada capacidade de transporte de carga com menor impacto ambiental.

Para viabilizar esta importante empreitada foram feitas reformas legais que incluem a redução das taxas de navegação e estada de navios de cabotagem, introdução destes serviços na Janela Única Electrónica (JUE), entre outras.

Todavia, os primeiros 90 dias mostram que há perdas financeiras no maior navio, denominado “Greta”, que conta com duas gruas de 60 toneladas e uma capacidade de transportar 260 contentores, e que navega em toda a extensão da costa de Moçambique, escalando os portos de Maputo, Beira, Quelimane, Nacala, Pemba e Afungi, no extremo Norte da província de Cabo Delgado. Leia mais...

Texto de Idnórcio Muchanga

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