BENY TASY BÉRÉTÉ: UM PROFESSOR DE FIBRA, UM HERÓI!

Lembrei-me dele por ocasião da passagem de 12 de Outubro – Dia do Professor Moçambicano. Depois de treze (13) anos (1977/1990) compartilhando ombro a ombro a mesma minúscula mesa da sala dos professores, elaborando exames, ou corrigindo provas, lançando notas nas pautas, ou palmilhando todas as salas, subindo e descende os três pisos da escola secundária, respirando juntos o mesmo ar quente e seco de Tete, um dia, determinaram as vicissitudes da vida que nos separássemos. Aliás, eu é que tive de separar-me dele, indo “vegetar” noutros quadrantes.

Deixei-o petrificado nos mesmos redemoinhos-de-poeira de Tete”, confundindo-se com a própria escola, qual memória institucional e monumento ambulante! Incansável, entregou- -se de corpo e alma, durante mais de quatro décadas seguidas, sem férias. Nem ao menos ir visitar o seu país de origem (Guiné Conakry), desde que chegou em Tete em 1977, até à data do seu falecimento em Maio deste ano de 2020. Mesmo durante a interrupção normal das aulas, ele sempre estava lá na escola, trabalhando como se estivesse a pagar alguma promessa religiosa. Matriculava e organizava turmas para o novo ano lectivo, sem olhar a quem, nem contar com nenhum tipo de incentivo. Incorruptível, marcou indelevelmente com a sua postura muita gente: português com sotaque pronunciadamente afrancesado e um sorriso meigo e bonacheirão. Com uma saúde de aço inoxidável, nunca o ouvi a queixar-se de uma tosse ou constipação durante todo o tempo que com ele ombreei. Passaram vinte e três anos após a nossa separação. Não nos falávamos, porque, na altura da nossa separação, falar ao telefone era luxo. Leia mais...

Por Kandiyane Wa Matuva Kandiya

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