DOENTES ABANDONADOS PELOS FAMILIARES: A dura realidade de viver há 30 anos num hospital

Problemas sociais e intolerância, sobretudo à velhice, continuam sendo os factores que ditam o abandono de doentes nas unidades sanitárias.

O facto tira sono às direcções dos hospitais. Na verdade, há por lá pacientes que se tornaram inquilinos. Alguns destes chegaram ainda adolescentes para tratar da sua saúde e nunca mais saíram de lá.

De acordo com o Gabinete de Acção Social nas unidades sanitárias, este problema é, em grande parte, reflexo de falta de solidariedade com as pessoas da terceira idade, em particular.

Questões sociais levam a que famílias se recusem a receber os seus parentes em casa, após a alta hospitalar. “Temos casos de filhos que abandonam os seus pais e também o inverso. É triste o que temos acompanhado”, lamenta a irmã Emília Nhambirro, responsável pelo Gabinete de Acção Social no Hospital Geral José Macamo.

Conforme foi avançado, os idosos são as maiores vítimas deste mal, sobretudo os que padecem de doenças crónicas. Chegam às unidades sanitárias acompanhados pelos próprios familiares, outros, porém, são encontrados em plena via pública e encaminhados pelas autoridades policiais.

Contudo, um trabalho realizado pelo Gabinete de Acção Social, ao nível do Ministério do Género, Criança e Acção Social permite que alguns pacientes sejam reintegrados nas suas famílias. Mas nem todos os casos têm um final feliz. “Até para devolver o doente ao ambiente familiar às vezes revela-se um desafio. Quando conseguimos fazê-lo com sucesso, é uma vitória para nós”, afirma Suzana Mabote, técnica de Acção Social no Hospital Geral de Mavalane.  Leia mais...

Texto de Luísa Jorge

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Fotos de Inácio Pereira e Jaime Machel

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Última modificação: Sábado, 10 Outubro 2020 19:49