DICAS DA VOVÓ: É feio o homem controlar a comida dentro de casa

Valendo-se da metalinguagem, mostra-se oportuno dar a conhecer, para que não haja dúvidas e equívocos, o significado da palavra sovina, vulgo kakata, no linguajar local. Diz o dicionário que sovina é uma pessoa que não gosta de gastar, que tem um apego excessivo pelo dinheiro. No caso de indivíduos do sexo masculino, num estado avançado da doença controla os gastos domésticos, metendo o nariz na despensa de casa, de tal modo que pega pessoalmente no cesto, prende-o ao braço e zarpa rumo ao mercado para adquirir ao seu gosto e à sua medida os produtos para o consumo no seu lar, ignorando em grande medida as respectivas companheiras.

Se para estes filhos de Deus essa é a fórmula profícua para encontrar o sossego - materialmente falando - vovó Maria Manuel, residente em Maputo, afirmou com muita convicção que se trata de homens “que mulher nenhuma merece ter na vida”. Até porque “é como se a mulher vivesse presa dentro da sua própria casa”, apontou. Facto vergonhoso, avança a vovó Maria Manuel, em conversa com domingo, casos há de esposos “que se deslocam até ao ‘dumba-nengue’ (mercado informal), inclusive em ocasiões em que o casal recebe familiares ou amigos em casa. Quando os visitantes chegam, não o encontram porque correu para o mercado para comprar tomate de 10 e caldo de 5 Meticais. ‘Yhi! Psi bihile’! (é feio)”, observou. E as acusações não param por aqui. “Alguns maridos não dizem quanto recebem (salário); excluem as mulheres da planificação das despesas de casa, como se a mulher não tivesse cabeça para pensar. A mulher também tem ideias, que podem fazer o casal crescer, progredir. Ela não é um objecto dentro do lar”, observa. Desconfiada, referiu que, geralmente, “homens que agem dessa forma ‘vani xiteka-teka’ (são mulherengos). ‘Afinam o bolso’ para dar conta das despesas das várias mulheres que têm por aí”, encerrou a conversa com o jornal domingo.

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