Ode à carapinha

Mão à cabeça e... vem a continência. É a dita valorização das origens; a carapinha marcando o seu espaço, dando pano para tecer uma “sociologia” do cabelo africano. Assim, alisamento à parte, mulheres e homens levantam a “bandeira” e sustentam a beleza do negro. domingo deixou-se embarcar nessa locomotiva da auto-estima, na companhia de seres humanos que se consideram simples, motivados por sentimentos de pertença ao ser negro. Elisa Tembe, produtora de conteúdos, revela que a sua forma de se apresentar “diz algo e muito de mim”. Na verdade, “a impressão que passo é de simplicidade... O outro olha para mim e encontra-me nua, (sinónimo de) um livro aberto. E mais: o meu cabelo simples e natural transmite segurança”, descreve.

Ora, esta é a Crespa Vanny – assim se denomina fazendo jus ao seu estilo – que fala da sua presença e existência no universo repleto de opções e estereótipos. Ela levanta a sua voz para dizer que “ser negro é luxo... (daí que) sou crespa, sou bela. Esta é a minha identidade, uma das minhas principais marcas desde criança”. Aliás, revela a sua aversão, “desde criança”, ao alisamento do cabelo. Conta que, certa vez, aos 8 anos, a sua mãe alisou a sua carapinha, mas por tamanho desconforto, em seguida, “pedi ao meu pai que me levasse para cortar o cabelo”. A sua vontade atendida!

E Elisa segue nesta vida “tentando mostrar aos outros” (negros) que podem usar o seu cabelo sem neura, sem vergonha, até porque, conforme defende outra entrevistada do domingo, Benedita Cândido, auxiliar administrativa, “cada um de nós (a humanidade) foi feito distinto do outro. Somos todos diferentes, cada um com as suas peculiaridades, mas individualmente temos algo por contribuir para tornar o mundo melhor; podemos sempre aprender com os outros e ensinar”.

ESTAMOS TODOS DE PASSAGEM

O mundo vem conhecendo transformações de certa forma expressivas. A onda do bem leva a mudanças na forma de olhar e, quiçá, de pensar. As perspectivas são várias, entretanto, Benedita Cândido alerta que “nesta terra estamos todos de passagem e devemos, enquanto nos houver vida, fazer o bem ao maior número possível de pessoas”, sendo que “o respeito mútuo é fundamental para qualquer tipo de relação social”, acrescenta. E haja respeito pelo outro, igualmente, na sua forma de ser, de se apresentar. Entretanto, há que ter em conta que – afirma Benedita Cândido – “o modo como a pessoa se apresenta é basicamente o reflexo daquilo que ela pensa; dos valores que lhe guiam, e acredito, sim, que a forma de me apresentar mostra que sou adepta do respeito mútuo, que tenho orgulho de ser moçambicana, africana, negra”, revela. Leia mais...

TEXTO DE CAROL BANZE

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