DC-10, das LAM, era um avião especial

Ao fim de 43 anos ligado ao ramo da aviação, o comandante Hanif, como carinhosamente é tratado, coloca ponto final a uma das profissões mais apaixonantes do mundo. Escalou diversas capitais mundiais, tendo tido o privilégio de inaugurar a ligação Maputo-Lisboa na maior aeronave na história das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), o DC-10.

Quem é o piloto Mohomed Hanif?

Nasci em Moçambique a 24 de Junho de 1955. Estudei até a 4.ª classe na actual Escola Primária 16 de Junho. Era considerado bom aluno. Entrei para o ensino secundário na Escola Josina Machel (antigo Liceu Salazar). Devo muito aos meus pais. Éramos 10 irmãos e o mais velho já falecido. Sou o que sou primeiro graças a Deus (Allá) e depois aos meus familiares, à minha esposa e a todos meus colegas da aviação. Sem excepção.

Que memórias guarda desse tempo?

Recordo-me que o Liceu Salazar naquela altura era essencialmente para brancos. Senti o racismo na pele. A maior parte das pessoas que queriam continuar a estudar no ensino secundário tinha de vir para a escola Francisco Manyanga (antigo Liceu António Enes). Na brincadeira até diziam que havia o liceu da Polana, na zona do Museu, e o da capulana que era no Alto Maé. Penso que por ter sido bom aluno até a 4.ª classe e ter feito um óptimo exame de admissão acabei por entrar no antigo Liceu Salazar. Reforço que senti na pele o racismo. Entretanto, tive de repetir o segundo ano do liceu, mas depois dediquei-me aos estudos até completar o sétimo ano.

Nessa fase da adolescência brincava com a garotada da sua idade ou só tinha foco nos estudos? Leia mais...

Texto de Benjamim Wilson

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