MUTHIYANA DE FIBRA: Abracei a melhor escolha: trazer a minha filha ao mundo

Nome: Neyda Narcy

Idade: 30 anos

Naturalidade: Maputo

Residência: Maputo

Ocupação: Dançarina, mentora de dança, assistente administrativa e empreendedora.

Conquistas: Fez o ensino secundário na Escola Estrela Vermelha e na Josina Machel. Mas foi na Escola Primária Bê-a-Bá, no Alto Maé, onde deu os primeiros passos na vida académica. Destaque-se que, nessa altura, aos 7/8 anos, uma estrela nascia para o mundo artístico: a própria Neyda Narcy. A verdade é que das brincadeiras de infância praticamente voltadas para os movimentos corporais, através da dança, chegou até ao público, pela televisão. A progenitora foi fundamental na divulgação da mini-artista. “A minha mãe trabalhou para isso; promovia as actividades do grupo (criado pelas crianças), e o resultado disso é que fomos parar em televisões para mostrar a nossa arte”. Arte essa que está literalmente no sangue, corre-lhe pelas veias e reflecte-se nos movimentos cadenciados protagonizados pelo seu poderoso corpo; na dança...

Mas engana-se quem pensa que nesta lida as paredes foram sempre pintadas de rosa. Não! Não foram de forma nenhuma, pois “na fase da adolescência havia pouca aceitação da parte dos nossos familiares. Achavam que dança é para meninas de má conduta, mas nós mostrámos que não era nada disso; mostramos que dança é arte, e à medida que o tempo passou ganhámos respeito e conseguimos fazer shows, dentro e fora do país; ganhámos prémios de melhores coreografias, entre outras coisas”, vangloria-se. Neyda cita outra conquista tão importante, entretanto extraordinariamente especial: a sua filha de 7 anos. E veja-se que “fui mãe solteira e com isso vieram julgamentos negativos. Afirmavam que eu não estava preparada”, sendo que surgiram, inclusive, algumas vozes do mal que defendiam a interrupção da gestação. Neyda foi forte e nobre o suficiente para tapar os ouvidos às grosserias e às tendências maléficas, de tal forma que hoje só canta alegrias na sua vida: “Abracei a minha escolha, a melhor escolha que fiz na minha vida, trazer a minha filha ao mundo”. Acrescente-se que, entretanto, alguns planos ficaram atrasados, mas nada que promova algum arrependimento, até porque “cada coisa tem o seu tempo... eu levanto a minha bandeira e não me arrependo de nada”, diz. É desta forma que a “muthiyana” de fibra do jornal domingo leva a vida. Uma mulher e tanto, que na sua existência na face da terra inclina o ombro para amparar às outras muheres, mulheres carenciadas. Entre várias ocasiões, tudo ocorre quando ela actua como mentora de dança, num terreiro mais do que especial. E  “orgulho-me de ser mentora de dança. Neste ambiente oiço-as, ausculto as suas inquietações e tento ajudar-lhes. Oriento-lhes a cultivarem a coragem, algo que se pode conseguir através da dança. A mim, a dança ensinou a ter coragem, a ter força de lutar”, argumenta.

Sonho(s): “Concluir a licenciatura. Quero e vou conseguir. Tenho dois cursos iniciados e não finalizados: o de ciências de comunicação e de relações internacionais”. Entretanto, está também nos seus planos “ter uma associação para ajudar mães solteiras carentes. De um modo geral, as pessoas esquecem-se que estas mães existem e precisam de assistência. É algo que já faço, apesar de não contar”, revela.

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