CRIMES BRUTAIS ENTRE CASAIS: Não esperar pelo anúncio necrológico para agir

Uma mulher que se sacrificou, inclusive, no momento em que carregava uma vida no seu ventre. “Colocava o bidão de água na cabeça para ajudar os pedreiros no momento da construção da nossa casa”. Natacha, de 31 anos, natural de Maputo, conta que contribuiu para isto e muito mais. No entanto, deixou para trás um projecto de vida que havia iniciado com um homem que achou que fosse ser seu companheiro até aos fins dos seus dias. O destino pregou-lhe partidas, a partir da fase em que o amor do seu marido para si se transfigurou e tornou-se num mal:

“ofendia-me de todas as formas. Passei por isso até no momento de luto, quando perdi a minha mãe. Emitia palavras ofensivas, citando o nome da falecida… Vivi momentos turbulentos, maltratou-me até a minha beleza desaparecer; cozinhava e o meu marido não estava lá para comer; ele saía às quintas-feiras e voltava semana seguinte, na 3.ª feira. Nessa altura, reportei o meu sofrimento à minha família, admiti que um dia poderia queimá-lo com óleo quente de tanta raiva que sentia. Mas eles afirmavam “aguenta. Não sai daí”. Contudo, pessoalmente, conclui que não valia a pena, que não devia ser pela casa e muito menos por termos uma filha que eu deveria passar por tudo aquilo, até porque eu acho que um filho não deve ser motivo para um casal ficar junto. Deve ser por amor”, posiciona-se.

Hoje, Natacha tenta levar avante uma outra relação de aproximadamente 4 anos. As coisas andam “assim-assim”, pois “ele, como homem, não consegue se decidir… não cresce”. Aos 35 anos, “vive em casa da mãe, não pensa em ter o seu próprio espaço, senão em comprar carro... veja que ele tem 3 iphones (telemóveis) mas eu, como mulher, preciso que tenhamos a nossa casa, o nosso lar. Quero sentir-me livre”. Seja como for, a verdade é que, por enquanto, nesta última relação, nada tem a dizer em matéria de agressão física, ainda que se trate de um homem “muito nervoso, de tremer e arregalar os olhos, mas não bate em mim”. Entretanto – verdade seja dita – este nem de longe seria o relato da sua antecessora, a ex-do seu actual noivo, pois ela “levava porrada todos os dias. O meu noivo batia nela até pisá-la”, revela. Com efeito, trata-se de um homem que “não suporta ouvir verdades, daí que eu procuro falar sobre problemas apenas quando estamos calmos, pois descarregar as mágoas através da fala traz problemas, ofendemo-nos e não há pior coisa que ouvir uma ofensa de quem você gosta”, observa Natacha.

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Texto de Carol Banze

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