Barulho não ajuda na relação entre pais e filhos

Criar filhos é simples?! Pode ser que sim, mas este privilégio de forma nenhuma abrange a maioria. O facto é que ter filho é bom – digamos –, óptimo, entretanto, arrasta concomitantemente a necessidade de fazer um bom jogo de cintura para resolver, vezes sem conta, situações bicudas. Que o diga Júlia Chico, que certo dia sentiu na pele o resultado de uma brincadeira de gosto complicado de digerir: A sua filha – uma linda menina de quatro anos de idade – carimbou no sentido literal da palavra o seu passaporte praticamente acabado de tirar. Sim, é mesmo isso. A menina brincou de funcionária dos serviços de migração. Hoje, já de tocha arrefecida, os pais narram ao longo desta matéria o episódio e revelam: “descobrimos que ela quer ser alfandegária”.

Assim, domingo convida- -lhe, desde já, a embalar-se em histórias contadas por estes e outros super-heróis que, diariamente, se entregam de corpo e alma na formação de indivíduos por si gerados. Trata-se de uma missão e tanto, sendo que quando o universo envolve adolescentes, a responsabilidade é ainda mais elevada, devido às mudanças de personalidade que ocorrem nesta faixa etária, conforme explica uma especialista em psicologia, em conversa com a nossa reportagem.

Lina Manuel Cossa, 37 anos, mãe de 3 filhos, dos quais duas meninas e um menino, sabe disso e muito mais, afinal, tem sob sua responsabilidade uma adolescente de 12 anos e um menino praticamente a beirar esta fase, de 10 anos. Esta mãe confessa que “não é fácil ser mãe de adolescentes. Os pais devem ter muito cuidado ao lidar com eles”. No seu caso, notou mudanças na sua filha, sendo que, num primeiro momento, “havia uma guerra para ela tomar banho e para fazer trabalhos de casa. Eu era obrigada a fazer barulho”. Ultrapassadas estas questões, restam, actualmente, outros pontos por acertar: Lina não vê com bons olhos amizade entre meninas de larga diferença de idade. No entanto, do outro lado da linha está a sua filha levando adiante essas relações. Com efeito, a mãe desfaz-se em lamúrias e desconfia que por tamanha chateação “acho que vou ter a necessidade de procurar um psicólogo”.

Entretanto, em pleno estado de emergência, em decorrência do mal do ano – a covid-19 –, outras preocupações sobressaíram: “nesta altura não está a ser fácil gerir as crianças, elas (os 3 filhos) são muito bagunceiras”. Ressalte-se, entretanto, que “os meus filhos não sabiam fazer nada, a não ser acordar, ver televisão, ir à escola… sabe, só sei dizer que ficar com criança 24 horas não é fácil”. Seja como for, o seu esposo, Elias Djive, intervém para afirmar que “o mais difícil é retê-los em casa durante muitas horas. Se uns conseguem com a ajuda das mães, no minuto seguinte vêm os amiguinhos que se tenham evadido das suas casas. Aí fica difícil controlar até os nossos, ou seja, o desafio não é somente conter os nossos filhos, mas também mandar de volta as crianças dos vizinhos”, observa. Leia mais...

Texto de Carol Banze

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