O Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, disse ontem à população do distrito de Homoíne, na província de Inhambane, que o Governo vai continuar a privilegiar o diálogo com todas as forças 

políticas nacionais, incluindo a Renamo, com vista à preservação da paz, e que tudo fará para que haja eleições autárquicas, porque “estas fazem parte do processo democrático”.

Alberto Vaquina, que hoje termina a sua visita de trabalho à Inhambane, com duração de três dias, apelou à população desta província e não só, para que repudie e reprove as ameaças, violência e morte de pessoas que têm estado a ser levadas a cabo por homens armados da Renamo em Sofala.

Falando num breve, mas marcante comício popular, o Primeiro-Ministro sublinhou que a população de Homoíne, em particular, conhece muito bem o caos que a guerra provoca, pelo que não deve permitir que esta volte a acontecer. “Se virem pessoas que parecem alinhar com ideais belicistas não hesitem em chamá-lo à razão, porque o caminho da violência não é o melhor. A guerra só produz mortes. Temos que fazer o nosso melhor para que o país cresça em paz”, sublinhou.

A população de Homoíne aclamou o discurso proferido, mas, aproveitou o ensejo para pedir ao Governo para que encontre uma forma de se sentar à mesa com o líder da Renamo, para que se ponha termo ao clima de tensão que se vive no país, que já causou vários mortos, feridos e a perda de avultados bens materiais, sobretudo viaturas de particulares empreendedores.

Pedimos ao Governo para que converse com o cabecilha destes distúrbios para que se alcance a paz e se ponha fim à violência”, disseram alguns populares convidados ao pódio para expressar as inquietações. De seguida, e como era de esperar, choveram palmas. Muitas palmas.

Em jeito de resposta, Alberto Vaquina reiterou que o Governo nunca fechou as portas ao diálogo. Antes pelo contrário. “O problema é que enquanto nós falamos de um lado, alguns deles dão a volta por traz e matam inocentes na via pública e destroem coisas”, disse.

Aliás, nesta visita a Inhambane, o Primeiro-Ministro tem versado os distúrbios que a Renamo tem estado a provocar em Sofala, actos a que rotulou de lamentáveis. “É lamentável que quando nos preparamos para o desenvolvimento, para resolvermos os problemas que tanto apoquentam a todos, muitos já construíram casas com o seu suor, apareçam pessoas a matar. Morrem pessoas cujo único crime foi utilizar a estrada para fazer o seu trabalho”.

Para Alberto Vaquina, o Governo se sente confortável por saber que os moçambicanos condenam actos de violência. Disse levar para Inhambane, e por intermédio destes, a todos os moçambicanos, uma mensagem de paz, unidade e respeito pela dignidade humana para que a posição do país se eleve. “Há um sério risco de retrocesso de tudo o que fizemos até aqui, se permitirmos que a guerra aconteça”, avisou Vaquina.

 Desafios dos próximos tempos

 No quadro da sua vista a Inhambane, o Primeiro-Ministro reuniu com os membros do Governo provincial e dos distritos de Homoíne e Inharrime ,e hoje vai manter um encontro com os membros do governo do distrito de Jangamo, para quem tem estado a dirigir uma mensagem de enaltecimento dos feitos sociais e económicos que estes conseguiram materializar nos primeiros meses do corrente ano.

Para o dia de hoje, Alberto Vaquina vai dirigir a sessão extraordinária do governo do distrito de Jangamo e tem agendados encontros com um beneficiário dos “sete milhões”, funcionários e agentes do Estado, pondo desta forma termo à visita a Inhambane.

A mensagem que Vaquina deixa por cá é de que há muitos desafios que resultam do facto de haver muitas carências e o orçamento disponível ser bastante pequeno. “Por isso temos que fazer escolhas complexas e os gestores públicos devem saber gerir o pouco que existe para que haja um maior impacto dos programas planificados”.

Segundo o Primeiro-Ministro, o povo deve perceber que não se fica numa situação de “não há problemas” e dentro dos problemas da actualidade, a eliminação da fome e da pobreza são questões primárias. “Pelo que pensamos que o aumento da produção de comida em termos percentuais não pode ser vista como o fim. É preciso que se verifique se existem crianças e mulheres grávidas que passam fome ou se se desenvolvem em ambiente de carências para que amanhã não tenham que competir em desvantagem”.

Apelou para que os membros do Governo da província de Inhambane dêem o melhor de si para que nenhuma criança nasça excluída em consequência de carências. Por outro lado, referiu-se à necessidade de se privilegiar o combate ao HIV/SIDA, por não ter cura, a malária pelo seu impacto social na mortalidade e se investir no saneamento do meio que causa doenças como a cólera. “Se conseguirmos passar estas mensagens às comunidades, podemos vencer os desafios dos próximos tempos”, frisou.

 

Melhores salários? Só com o trabalho!

- defende Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina

Artur Saúde

O Primeiro-Ministro, Alberto Vaquina, defende que a solução dos problemas salariais no país depende da atitude dos moçambicanos, que se devem empenhar cada vez mais no trabalho, para aumentarem os níveis de produção e de produtividade e melhorar a economia nacional.

Falando a propósito da suspensão da greve dos médicos e profissionais de saúde, sustentou que o Governo, desde o momento que se verificou a paralisação laboral, sempre disse aos médicos e profissionais de saúde que a solução dos problemas de insatisfação salarial seria possível através do aumento do trabalho e não ficando em casa.

É que, segundo explicou Vaquina, “se alguém estiver doente e se dirigir ao hospital e não for assistido ou levar muito tempo no atendimento, a sua retomada normal na sua actividade laboral vai ser demorada, também, o que terá como consequência a redução da produção e da produtividade.”

Destacou que os problemas orçamentais de que o país se ressente decorrem da incapacidade da economia nacional, cujos níveis de produção ainda estão aquém de satisfazer as necessidades reivindicadas. Segundo Vaquina, qualquer reflexão que o Governo fizer sobre salários a um determinado grupo profissional, deve ser equacionada de forma integrada, tendo em conta todos os grupos profissionais.

E adianta: “enquanto a nossa economia não for suficientemente robusta e continuar a depender, em cerca de 40 por cento, de contribuições externas, não podemos dar os salários que gostaríamos de dar.”

 Foi por essa razão que, continuou, quando o Governo aumentou o salário dos médicos, também se esforçou para aumentar o salário de outras classes profissionais e, para o caso específicos dos médicos, trabalhou-se de forma a subir quinze por cento, este ano, e treze para os próximos dois anos.

Na sua recente escalada em Gaza, o PM inteirou-se, em Chókwe, do processo de instalação das vítimas das cheias em locais seguros e mostrou-se insatisfeito com a morosidade que se verifica nesse processo. Por essa razão, orientou o Governo distrital a colher experiências de outras zonas que também foram afectadas.

“Há boas experiências de distribuição de talhões e de construção de casas que podem ser aproveitadas. Pode-se, por exemplo, contar com a mobilização de estudantes em período de férias na construção das casas, para sairmos desta situação o mais rapidamente possível”,disse Alberto Vaquina, receando que retorne a estacão chuvosa sem que este problema tenha sido resolvido. 

 

Jorge Rungo, em Inhambane

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