O corpo franzino esconde uma leoa. Mulher de causas, Énia Stela Lipanga tem-se destacado nos últimos anos como poetisa, cantora e activista social. Abraça sem pejo a bandeira do feminismo, mas sem a ladainha das fragilidades femininas ou da necessidade de protecção do mal masculino. Para Lipanga, o respeito já é bastante para que a mulher seja capaz de lidar com os desafios do dia-a-dia.

Mãe de 3 pequenos, Énia Lipanga sonha em mudar o mundo ou pelo menos em influenciar para a mudança de comportamentos desviantes através da arte que ela assume como um “motor imprescindível para que haja harmonia entre as pessoas na sociedade”.

Énia nasceu na cidade de Maputo. Viveu no bairro Luís Cabral, onde frequentou a Escola Primária Luís Cabral e, posteriormente, a Escola Primária do Jardim. Fez o ensino secundário na Josina Machel. Estudou na Universidade São Tomás (Curso de Direito) e, actualmente, está na Universidade Pedagógica, onde cursa Jornalismo. Também lidera o projecto “Turbante-se”, que promove o uso do lenço de cabeça.

“O ‘Turbante-se‘ surgiu da necessidade de resgatar o uso do lenço nas mulheres, algo que se estava a perder. Dou aulas de diversas formas para colocar o turbante. Faço também esta oficina na oncologia do hospital para resgatar a beleza das mulheres que, após a quimioterapia, perdem o seu cabelo”, explica a activista.

A par da escola, “eu trabalho na área de género na associação moçambicana H2N, uma organização que trabalha com comunicação baseada na comunidade”, diz Énia, que este mês irá participar no Festival Memória Viva -Encontro Internacional de Música e Arte na cidade de Barcelona, Espanha. Para lá leva na bagagem muita música e poesia moçambicanas.

Define-se como poetisa e rapper. “Aminha principal motivação artística é o comportamento social, tudo o que escrevo está ligado ao meio que me rodeia ou na idealização de um mundo diferente (melhor) do que vivemos”, diz.

Tem como referências “a minha mãe, Cacilda, por ser uma mulher que enfrentou várias barreiras, mas sempre com a música a ecoar pelo quintal e sorriso no rosto, e o Hélder, pai dos meus filhos, por ser um homem que se tornou feminista e que compreende a igualdade que as mulheres buscam na sociedade. José Craveirinha, Yolanda Xicane e Tracy Chapman, entre outros preenchem a lista”.

Porque feminista, aquando da passagem do ciclone Idai, Énia fez uma campanha para a recolha de pensos higiénicos; explica a motivação: “No momento em que se juntava quase todo o tipo de ajuda, senti que poucos se recordariam de uma condição biológica que só as mulheres passam, que é o ciclo menstrual, e decidi fazer uma campanha que terá ajudado cerca de 400 mulheres com o que juntei. Superou as minhas expectativas. Tanto homens como mulheres contribuíram”.

Texto de Belmiro Adamugy
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