Localizado nos arredores da cidade de Maputo, o bairro de Maxaquene é considerado um dos mais perigosos pelos elevados índices de criminalidade. Mas o que pouco se enaltece é que serpenteando nas linhas que lhe tracejam, cruza-se no meio das suas entranhas com histórias de vida que bem lhe engrandecem.

A verdade é que Maxaquene tem beleza, humana e material. Tem um negro de pele e acções, que, com o seu metro e 81, multiplica aos milhares as belezas deste pedaço da capital do país. Falamos de Geraldo Munjovo, que lá nasceu há 28 anos. Ele repercute a sua história de peito cheio e olhar altivo, tal como o faz em passarelas da vida e da moda.

Navega no mundo “fashion” depois de derrubar barreiras e preconceitos, inclusive no seio do seu lar, afinal, “o meu pai não queria, pois não percebia. Dizia: ‘só para se vestir de “roupas” você vai deixar de trabalhar?’ Mas, depois de assistir, através da televisão, e ver ao vivo o Moçambique Fashion Week (MFW), percebeu do que se tratava e pediu-me desculpas”, revela.

Mas como Geraldo foi lá parar? Perguntámo-lo e a resposta veio em seguida: “depois de assistir, pela televisão, a um evento internacional, o Milão Fashion Week, e também ao realizado em Portugal. Adquiri uma queda pela área e (inclusive)passei a vestir-me de forma diferente”, recorda-se.

Mas foi no ano de 2011 que a sua vontade de brilhar ganhou forma. “Um vizinho levou-me à agência GS Fashion. Aqui ganhei alguma experiência. Na altura, tudo parecia difícil, pois eu era de um mundo diferente. A minha família era humilde, sendo que o mundo da moda era visto como de pessoas com posses”. Para deturpar ainda mais os seus pensamentos, “eu era magro e sentia complexos de inferioridade”.

No entanto, para a sua alegria e surpresa, foi classificado em um casting para o MFW. E “passei a acreditar que era capaz, pois estava no meio de pessoas que teoricamente eram as elegíveis, mas venci. Isto deu-me muita força”, confessa.

Ora, sentir esse potencial em si ocorreu aos 20 anos após deixar para trás outros projectos que por pouco não definiram a sua vida.

Conta que se apartou de um rumo que praticamente toda a sua família vinha tomando, ao seguirem as peugadas do seu progenitor e almejar trabalhar nos Caminhos de Ferro de Moçambique, onde ele era maquinista. “Cheguei a sonhar em trabalhar como maquinista e, mais tarde, a partir dos 17 anos, quando passámos a viver em Magude, acompanhando o meu pai que para lá havia sido transferido, apostei no futebol, depois de sentir nos CFM não seria feliz”.

Entretanto, por imperativos académicos, desistiu das lides desportivas, pois conciliar a escola e a prática de desporto não se mostrou exequível. Destaque-se que chegou a jogar pelo Ferroviário de Maputo, na categoria de juniores, numa altura em que a família já havia regressado a Maputo. Geraldo sentia que“poderia ser um dos melhores jogadores de Moçambique”, mas foi obrigado a abandonar o futebol.

De caminho aberto para outros projectos, vingou na moda e hoje navega na medida do possível nesta área que, não tendo muitos incentivos, “faz por gosto e à medida que ocorrem alguns eventos esporádicos”.

Ganhou um prémio no MFW de 2011 – viagem para a África de Sul e algum valor monetário – como melhor modelo. Em si, foi encontrada uma altura, um corpo, andamento e interacção com o público dentro das medidas consentâneas.

Ainda assim, não pensa em viver só de moda para sempre. O seu foco está virado para o Marketing, sua área de formação ao nível superior. Neste momento, está vinculado à Range Models não só como modelo, mas também como coreógrafo.

Texto de Carol Banze
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